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Dezembro 31, 2009

BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (11)

Guarulhos | Encerrando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, o BRF1 recorda hoje a temporada de 2009, que encerrou a década e marcou Jenson Button como o quinto campeão diferente dos últimos dez anos.

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2009: O ano de Ross Brawn

Até 2009, a F-1 havia vivido na segunda metade da década de 2000 uma verdadeira epopeia em altíssimo nível, cujo clímax havia sido o fantástico campeonato de 2008 - um Mundial para lavar a alma, com direito a quase tudo o que um bom campeonato pode proporcionar. Tudo isso após uma decisão tripla em 2007 e o duelo entre o "Rei" e o "Príncipe" em 2006.

A verdade é que após o final do campeonato de 2007, era impossível imaginar algo ainda melhor em 2008, mas isso aconteceu. E novamente, após 2008, era impossível imaginar um campeonato mais emocionante e competitivo em 2009. Em função disso, as previsões eram um tanto quanto imprecisas e giravam em torno da continuidade, não do imprevisível.

Por exemplo: McLaren e Ferrari eram apontadas como favoritas óbvias. BMW Sauber surgia como postulante ao título, bem como a Red Bull, que agora contaria com o fenômeno Sebastian Vettel, já tido como um piloto verdadeiramente diferenciado. A Renault ainda tinha Fernando Alonso, a Toyota era a incógnita de sempre e a Honda... bem, a Honda havia fechado as portas no fim de 2008 e, às vésperas do início do campeonato de 2009, havia surgido sob a batuta de Ross Brawn, rebatizada como Brawn GP e contando com Jenson Button e Rubens Barrichello em seus cockpits.

Como se vê, ou a disputa pelo título seria épica, ou seria um porre. Eram muitos os candidatos ao estrelato. Pelo menos quatro equipes com um piloto de ponta. Mas quando os carros finalmente foram à pista para os testes de pré-temporada, a realidade do campeonato já estava estabelecida: surpreendentemente, seria a recém-nascida Brawn GP contra o resto.

E por resto, entenda-se apenas a Red Bull, a Force India (!) e, nas últimas provas do campeonato, a renascida McLaren. A Ferrari, de desempenho pífio, foi a equipe mais perdida do ano. Com decisões erradas do início ao fim, foi o time que mais sofreu com o fim dos testes ao longo do ano e, para piorar, perdeu Felipe Massa para o restante do Mundial após o grave acidente no treino classificatório para o GP da Hungria, voltando a escolher mal, muito mal, seu substituto: a princípio, Michael Schumacher. Depois do frissom e da desistência do alemão por problemas físicos, restou o pífio Luca Badoer. Após duas provas, foi a vez de Giancarlo Fisichella conseguir a proeza de não marcar nenhum pontinho em seis corridas. Sem dúvida, o fiasco do ano.

Enquanto isso, Brawn GP e Red Bull colecionavam vitórias. O "problema", para os fãs da F-1 e até mesmo para os rivais do time recém-criado por Ross Brawn, é que após o GP da Turquia - sétima etapa do campeonato - o campeão mundial já estava praticamente definido. E era Jenson Button. Dono de assustadoras seis vitórias em sete corridas.


O britânico deu início à já lendária saga da equipe ao conquistar pole e vitória logo na estreia dos carrinhos brancos, em Melbourne, na Austrália. De quebra, veio a dobradinha, com Rubens Barrichello em segundo. Algo que não acontecia desde 1954, quando a Mercedes - curiosamente, fornecedora de motores da Brawn GP - conseguiu atingir o mesmo feito, com Juan Manuel Fangio e Karl Kling.

Na Malásia, uma rara tempestade provocou a interrupção da prova no momento em que Button liderava o pelotão. Mais uma vitória para o inglês, desta vez valendo apenas a metade dos pontos.

Na China, no entanto, foi a vez de Sebastian Vettel atingir sua própria marca histórica: sob chuva, o alemão, recém-contratado pela Red Bull, levou sua equipe à primeira vitória na história e tornou-se um dos raros pilotos a levar duas equipes diferentes ao primeiro triunfo de suas histórias - em 2008, Sebastian venceu a única da Toro Rosso até o momento.


No entanto, do Bahrein em diante, só deu Button. Vitórias no deserto asiático, na Espanha, no Principado de Mônaco e na Turquia. Após sete provas, o placar mostrava Jenson com 61 pontos, contra 35 de Barrichello. O brasileiro aparecia como único rival do britânico, mas apesar da igualdade de condições, nem de longe era uma ameaça.

A partir do GP da Inglaterra, porém, o campeonato ganhou novos temperos - nada que fosse suficiente para criar uma disputa eletrizante pelo título ou para ameaçar a liderança de Button no campeonato. Serviu apenas para deixar o suspense no ar e adiar uma conquista que, desde o início do campeonato, já era dada como certa.

Em Silverstone, a vitória ficou com Vettel, que pulou para 39 pontos, contra 41 de Barrichello, ainda vice-líder. Na Alemanha, foi a vez de Mark Webber triunfar pela primeira vez na carreira, em uma atuação genial, com direito a 'drive through' e um ritmo alucinante após a punição. A Red Bull, definitivamente, era a única rival visível da Brawn GP. Neste momento, Vettel assumiu a vice-liderança e Webber pulou para o terceiro lugar. Ambos relegaram Barrichello à quarta posição no campeonato.

No caótico fim de semana na Hungria, no entanto, foi a vez de Lewis Hamilton vencer a primeira na temporada e recolocar a McLaren no caminho das vitórias. E foi somente no GP da Europa, em Valência, 11ª etapa do campeonato, que Rubens Barrichello finalmente voltou a vencer, após um jejum de mais de cinco anos. O triunfo deu novo ânimo ao brasileiro na luta pelo título, mas já era um tanto quanto tarde para uma reação. Naquele momento, o placar mostrava 72 pontos para Button contra 54 de Rubinho.

E quando todos esperavam que o brasileiro finalmente seria capaz de fazer frente a seu companheiro de equipe, veio o GP da Bélgica. Jenson ficou na largada e deixaria o caminho livre para Rubens, mas o brasileiro mais uma vez teve uma largada ridícula e, em prova de recuperação, logrou apenas o sétimo posto e descontou sua desvantagem para o líder do campeonato em míseros dois pontos. A prova, vencida por Kimi Räikkönen, marcou a atuação heróica de Giancarlo Fisichella, dono da pole position e da segunda posição final a bordo de uma modesta Force India.


Nem mesmo a excepcional vitória em Monza, na Itália - a terceira no circuito italiano -, foi capaz de fazer Barrichello encostar em Button - tudo porque o britânico completou a dobradinha da inacreditável Brawn GP. Restando quatro provas para o fim, o inglês liderava com 80 pontos, contra apenas 66 do brasileiro.

Para sonhar com o título, Rubens teria que chegar no mínimo à frente de Jenson nas etapas finais de 2009 - missão na qual falhou logo na etapa seguinte, em Cingapura, em prova vencida por Hamilton. No Japão, o triunfo ficou nas mãos de Vettel, que de quebra voltou a ameaçar a vice-liderança de Barrichello, sétimo colocado - Button chegaria em oitavo.


No Brasil, diante de sua torcida, o brasileiro voltou a viver momentos de glória: em uma sessão classificatória para lá de caótica em função da chuva, Rubens levou sua Brawn GP à pole position, com seu companheiro de equipe apenas em 14°. Se a corrida terminasse assim - e poderia perfeitamente terminar, já que a previsão de chuva para a prova era de 90% -, Barrichello sairia de Interlagos apenas quatro pontos atrás de Jenson e deixaria a decisão para a última corrida, em Abu Dhabi.

Mas o tradicional autódromo paulistano testemunhou uma tarde de sol a pino, de uma atuação estrondosa de Button - que galgou posições até cruzar a linha de chegada em quinto lugar - e de mais um dos intermináveis capítulos de azar de Rubens, que vinha para um consolador terceiro lugar até ver seu pneu furar a menos de cinco voltas para o final, cruzando a linha de chegada apenas em oitavo e vendo seu companheiro de equipe comemorar seu primeiro título mundial na categoria.


O GP de Abu Dhabi serviu apenas para cumprir tabela, mas trouxe boas disputas, atuações de destaque - como a de Kamui Kobayashi, que já havia roubado a cena em sua estreia, no Brasil - e uma excelente dobradinha da Red Bull, com Sebastian Vettel chegando à quarta vitória no ano e assegurando o vice-campeonato mundial.

Um campeonato morno com um campeão ao "acaso", moldado ao estilo perfeccionista do gênio Ross Brawn. Após o fim do campeonato, a Brawn GP foi vendida para a Mercedes e entrou para a história como a única equipe a disputar uma única temporada e ter 100% de aproveitamento, assegurando os títulos de Pilotos e Construtores. O time, que havia custado o valor simbólico de £ 1 às mãos do engenheiro inglês, foi vendido para a montadora alemã por £ 70 milhões. Talvez este tenha sido o melhor negócio da história da F-1, algo que, por todo o contexto, faz de Ross, e não de Button, o grande campeão de 2009.


Ranking de Vitórias:
1°. Jenson Button (GBR/Brawn GP) - 6
2°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull) - 4
3°. Rubens Barrichello (BRA/Brawn GP) - 2
4°. Lewis Hamilton (GBR/McLaren) - 2
5°. Mark Webber (AUS/Red Bull) - 2
6°. Kimi Räikkönen (FIN/Ferrari) - 1

Ranking de Poles:
1°. Jenson Button (ING/Brawn GP) - 4
1°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull) - 4
1°. Lewis Hamilton (ING/McLaren) - 4
4°. Rubens Barrichello (BRA/Brawn GP) - 1
5°. Mark Webber (AUS/Red Bull) - 1
6°. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 1
7°. Jarno Trulli (ITA/Toyota) - 1
8°. Giancarlo Fisichella (ITA/Force India) - 1

Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull) - 3
1°. Mark Webber (AUS/Red Bull) - 3
3°. Jenson Button (GBR/Brawn GP) - 2
4°. Rubens Barrichello (BRA/Brawn GP) - 2
5°. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 2
6°. Nico Rosberg (ALE/Williams) - 1
7°. Jarno Trulli (ITA/Toyota) - 1
8°. Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 1
9°. Timo Glock (ALE/Toyota) - 1
10°. Adrian Sutil (ALE/Force India) - 1

2009: As imagens inesquecíveis

GP de Abu Dhabi - Na primeira prova da F-1 disputada nos Emirados Árabes, o que realmente chamou a atenção dos telespectadores e fãs da categoria foi o luxo com o qual o autódromo foi construído, os efeitos pirotécnicos do hotel que fica ao centro do circuito e, claro, o fato de a prova ter sido disputada no crepúsculo, começando durante o dia e encerrando já à noite.

A verdade é que tanto pilotos quanto telespectadores reclamaram da falta de desafios do traçado de Abu Dhabi. No entanto, apesar de a prova ter sido um tanto quanto sem sal, várias disputas maracaram a etapa que encerrou o Mundial de 2009. Uma delas chamou a atenção em particular: Kamui Kobayashi, novato da Toyota, deu um belíssimo "X" sobre Jenson Button, que havia acabado de conquistar seu título em Interlagos. O duelo entre ambos, por sinal, já havia chamado bastante a atenção no GP do Brasil, na prova que marcou também a estreia do japonês na categoria.



GP de Cingapura - Quando a F-1 desembarcou pelo segundo ano seguido na ilha de Cingapura, o "Crashgate" vivia o auge de sua fama. O veredicto banindo Flavio Briatore da categoria e excluindo Pat Symonds do paddock por cinco anos provocou a reação imediata dos patrocinadores da Renault, que um a um foram rasgando seus contratos com a equipe francesa.

Foi justamente em Cingapura, mas em 2008, que Nelsinho Piquet havia sido o protagonista do episódio. Em 2009, os carros da escuderia agora chefiada por Bob Bell estavam praticamente brancos, com a inscrição "Renault" ocupando os espaços vazios. E nos primeiros treinos livres, eis que Romain Grosjean, substituto de Nelsinho no time e de talento duvidoso, rodou exatamente no mesmo ponto em que o brasileiro provocou o acidente no ano anterior, em um movimento praticamente idêntico ao do polêmico episódio.

A cena arrancou risos de quase todos, pela infeliz coincidência...



GP do Brasil - A F-1 chegou a Interlagos com três pilotos ainda com chances de título: Jenson Button, líder disparado do Mundial; Sebastian Vettel, terceiro colocado e dono de três vitórias na temporada; e Rubens Barrichello, vice-líder, companheiro de equipe de Button e com o peso da torcida a seu favor.

Longe da pole position desde 2004, o brasileiro superou uma sessão caótica em função da chuva - com mais de 3h de duração - para cravar uma volta perfeita e ficar com a primeira posição. Button largaria em 14° e Vettel, apenas em 17°. Todo o cenário favorecia Rubens. Mas seus instantes de glória se encerrariam, mesmo, com o fim do treino de classificação.

A volta, no entanto, foi sensacional.


BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (10)

Guarulhos | Continuando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, o BRF1 recorda hoje a temporada de 2008, que marcou o primeiro título de Lewis Hamilton, na maior decisão de campeonato da história da categoria.

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2008: Como nos velhos tempos

Após a surpreendente e emocionante decisão do Mundial de 2007, entre Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Kimi Räikkönen - que acabou ficando com o título -, a F-1 vivia uma espécie de "ressaca". Era praticamente impossível imaginar um campeonato mais disputado do que o do ano anterior, algo que, para muitos, só aconteceu em função da aposentadoria de Michael Schumacher em 2006.

Os protagonistas eram os mesmos: Alonso, de volta à Renault após uma temporada conturbada na McLaren, tinha a missão de reerguer a combalida equipe francesa e recolocá-la no caminho das vitórias. Hamilton, agora "dono" da McLaren, sugeriu a contratação de Heikki Kovalainen. Ron Dennis e Martin Whitmarsh atenderam ao pedido do então vice-campeão mundial e trouxeram para a escuderia britânica o segundo piloto ideal, ao menos para o inglês: inofensivo e incapaz de incomodar sua hierarquia.

Na Ferrari, a situação era de incógnita. Após o título de Räikkönen, estaria Felipe Massa fadado à condição de segundo piloto, tal qual Rubens Barrichello na mesma equipe italiana nos tempos de Michael Schumacher? Stefano Domenicali, chefe da equipe, assegurava que não. O próprio Felipe, também. No entanto, o início de temporada do brasileiro, extremamente contrastante com o do finlandês, foram um duro golpe para suas pretensões.

Na abertura do campeonato, em Melbourne, na Austrália, a vitória ficou com Lewis Hamilton. Após a prova, o britânico declarou que o McLaren-Mercedes MP4-23 era um carro melhor que o anterior. Restavam, ainda, muitas dúvidas quanto à capacidade de o inglês em desenvolver um carro competitivo. Muitos atribuíram o bom desempenho de Lewis em 2007 ao bom trabalho de Alonso no desenvolvimento do MP4-22. Agora, o primeiro negro a guiar um carro de F-1 tinha que liderar esta tarefa sozinho.


E se Massa esteve longe de brilhar, sendo o primeiro a abandonar a prova após um acidente logo na primeira curva, Räikkönen também não esteve em seus melhores dias e marcou apenas um ponto, com a oitava posição final.

Na Malásia, no entanto, o nórdico se recuperou e ficou a vitória, com Robert Kubica na segunda posição - a BMW Sauber já havia feito o pódio na Austrália com Nick Heidfeld, também em segundo lugar. Mais uma vez, Felipe Massa abandonou em função de um erro dele próprio.

A pressão sobre os ombros do brasileiro era enorme. Falava-se até em uma possível demissão do brasileiro para dar lugar ao jovem talento alemão Sebastian Vettel, que dava seus primeiros passos na Toro Rosso mas já mostrava talento nato.

A mesma pressão que quase derrubou Massa foi convertida em força para uma arrancada que o colocou imediatamente entre os líderes do campeonato. No Bahrein, após a primeira pole-position de Kubica, vitória implacável do brasileiro. Na Espanha, apesar da vitória de Kimi - que nesta altura liderava o campeonato com 29 pontos, contra 20 de Hamilton -, Felipe completou a dobradinha da Ferrari.


Na Turquia, novo show do paulistano, com pole e vitória - a terceira consecutiva na pista de Istambul. Em apenas três provas, Massa entrou de forma autoritária na luta pelo título, chegando aos mesmos 28 pontos de Lewis e ficando a sete de seu companheiro de equipe - apenas os pilotos da Ferrari já tinham duas vitórias no campeonato.

Em Mônaco, no entanto, apesar da surpreendente pole de Felipe, o showman da prova foi Hamilton, que bateu logo no início de uma corrida chuvosa mas achou desempenho e um ritmo muito superior aos demais para ficar com sua segunda vitória na temporada e recuperar a liderança do Mundial. Com o abandono de Räikkönen, a briga pela ponta embolou: Hamilton tinha 38 pontos, contra 35 de Kimi, 34 de Massa e 32 de Kubica.

No Canadá, a surpresa maior: após uma lambança inexplicável entre Lewis e Kimi nos boxes, que resultou no abandono de ambos, a BMW Sauber dominou como quis a prova, marcou a dobradinha e coroou Kubica com sua primeira vitória na categoria - resultado que o alçou à liderança do campeonato, com 42 pontos. Massa e Hamilton apareciam empatados, com 38.


Com o campeonato pegando fogo e três líderes diferentes em sete etapas, foi a vez de Felipe, após a oitava prova do ano, ficar com mais uma vitória, chegar aos 48 pontos e se tornar o primeiro brasileiro a liderar o Mundial de Pilotos desde Ayrton Senna, em 1993. Curiosamente, Hamilton era o que havia ficado mais para trás após a corrida em Magny Cours: com o segundo abandono consecutivo, se manteve em 38 pontos, contra 43 de Kimi e 46 de Kubica.

Na Inglaterra, Lewis deu o troco: venceu diante de sua torcida, com um show sob chuva, e ainda viu Massa ter atuação pífia e terminar fora da zona dos pontos. Neste momento, de forma quase inimaginável, os dois pilotos mais Räikkönen apareciam com os mesmos 48 pontos e dividiam a liderança, com Kubica à espreita, com 46. Após uma temporada épica em 2007, o Mundial de 2008 se mostrava ainda mais competitivo.

Em Hockenheim, Hamilton venceu pela segunda vez consecutiva, viu Massa completar o pódio e ampliou a diferença para o brasileiro em quatro pontos. Mas foi na Hungria que o brasileiro viveu o primeiro de seus maiores dramas: após arrancar na marra a liderança de Lewis ainda na primeira curva, Felipe dominou a corrida praticamente de ponta a ponta, até a abertura da penúltima volta. A vitória, que o colocaria de volta na liderança do campeonato, virou fumaça no estouro de seu motor Ferrari, e caiu no colo do insosso Heikki Kovalainen, da McLaren. Para piorar, Kimi completou o pódio e roubou a vice-liderança de seu companheiro de equipe.


A partir do GP da Europa, o primeiro disputado nas ruas do porto de Valência, na Espanha, a disputa se restringiu a Massa e Hamilton. O brasileiro levou a vitória de ponta a ponta na pista urbana e reassumiu a vice-liderança, seis pontos atrás do inglês. Na Bélgica, nova vitória de Massa, mas na "canetada", já que Lewis havia travado uma disputa sensacional com Räikkönen, mas os comissários de prova entenderam que o piloto da McLaren fez uma manobra ilícita e o puniram com a perda de 25s em seu tempo final, jogando-o da primeira para a terceira posição.

Neste momento, a tabela mostrava 76 pontos para o inglês, contra 74 do brasileiro.

O GP da Itália foi um capítulo a parte, um épico. A primeira etapa realizada em Monza com chuva, em mais de 50 edições da prova, teve um vencedor alemão por uma equipe italiana. Não, não era Michael Schumacher pela Ferrari. Era o inacreditável Sebastian Vettel, mais jovem vencedor da história, pela carismática Toro Rosso, ex-Minardi.

Massa saiu da prova com apenas um ponto de desvantagem para Hamilton, 78 a 77.

Na etapa seguinte, a primeira prova noturna da história da categoria, em Cingapura. Os holofotes estavam todos sobre Felipe, pole position com uma volta arrasadora no complicado circuito asiático. Mas na prova, um erro crasso - e já clássico - da Ferrari arruinou sua corrida: durante o pit stop, a equipe acionou a luz verde antes que o reabastecimento tivesse se encerrado. Massa, então líder da prova, saiu pelo pit lane com a mangueira presa a seu F2008 e por pouco não abandonou, sem conseguir algo digno de nota no restante de sua participação. Já Hamilton chegou em terceiro e ampliou para sete pontos sua vantagem sobre o adversário brasileiro.

Foi também em Cingapura que Nelsinho Piquet, da Renault, arruinou completamente com sua carreira, e que Fernando Alonso, um dos melhores pilotos surgidos nos últimos tempos, conquistou a vitória mais infame de sua trajetória vencedora na F-1. Mas o escândalo do "Crashgate" só viria a ser descoberto um ano depois...

No Japão, antepenúltima prova de 2008, o duelo entre Massa e Hamilton ganhou contornos polêmicos: no travado circuito de Fuji, ambos conseguiram posições de largada apenas intermediárias. Logo nas primeiras voltas, pela primeira vez na segunda metade do campeonato, o brasileiro e o inglês disputariam uma posição. Não deu outra: fechado por Lewis, Felipe tocou na traseira da McLaren do britânico e seguiu na pista, enquanto o líder do campeonato rodava e tentava retornar à prova, nas últimas colocações.


Ambos foram punidos, mas Massa, inspirado, ainda teve tempo para fazer uma belíssima prova de recuperação, com direito a uma ultrapassagem kamikaze sobre Mark Webber nas últimas voltas, e levou dois pontos para casa. Hamilton não pontuou.

Na China, vitória fácil do inglês, com Massa escoltado por Räikkönen e chegando na segunda posição. O placar apontava 94 pontos para Lewis, contra 87 de Felipe.

Restava apenas uma prova para que o campeonato fosse decidido: o GP do Brasil.

A semana que antecedeu à prova viu uma cobertura que desde a Era Senna, no país, não se via. Era a decisão de um campeonato que dificilmente cairia nas mãos de Massa, mas, afinal, era um brasileiro com a chance de ser campeão mundial diante de sua torcida. Um brasileiro que, com a ajuda da influência global, resgatou parte da paixão que o tupiniquim tinha por F-1 e que havia sido esquecida desde o dia 1º de maio de 1994.

E Felipe, que pela primeira vez se via em tal situação, mostrou um preparo psicológico inesperado. Sempre focado apenas em vencer a corrida e deixando o resto dos acontecimentos em segundo plano, em nenhum momento o piloto da Ferrari se deixou levar pelo ufanismo por vezes descabido da imprensa local, que o cercou de todas as formas possíveis. Massa tinha consciência de que sua situação era extremamente difícil, e convenceu a todos disso: se a vitória era "obrigação", o título seria um lucro quase inimaginável.

Para o brasileiro ser campeão, dependia de uma vitória, com Hamilton de sexto lugar para trás, ou um segundo lugar, com o inglês fora da zona de pontos.

Após liderar todos os treinos livres, Massa seguiu o caminho natural e, com concentração e frieza diante de um autódromo com recorde de público em um sábado ensolarado - com os torcedores se comportando como se estivessem em um estádio de futebol, vaiando cada aparição de Hamilton e da McLaren e comemorando a cada vez que Felipe aparecia nos telões -, cravou a pole position e, extremamente à vontade, conseguiu reduzir em mais dois décimos o próprio tempo da pole, para não deixar dúvidas: 1min12s368. Lewis largaria em quarto, apenas uma posição à frente do limite para o título.

No domingo, 2 de novembro, o país vivia um clima diferente. Era uma situação nova para uma geração praticamente inteira de brasileiros: um piloto local decidindo um título mundial, algo que não acontecia desde 1991. Não se falava em outra coisa.

Em Interlagos, o sol radiante do dia anterior havia dado lugar a um céu nublado e a nuvens pesadas em pontos isolados do circuito. A torcida, que superlotou as arquibancadas, continuava dando show. Massa seguia concentrado e otimista; Hamilton, embora igualmente concentrado, mostrava-se um tanto quanto tenso. O mundo estava prestes a conhecer um novo campeão mundial de F-1, mas Lewis já carregava consigo o trauma de ter jogado fora um título praticamente ganho na mesma pista de Interlagos, no ano anterior.

Ambos sabiam o que tinham que fazer. O brasileiro sabia que não dependia apenas de si para ser campeão. O britânico sabia que dependia unicamente de si para levar seu primeiro título.

O clima de São Paulo, no entanto, foi protagonista atuante da decisão. Restando menos de dois minutos para a volta de apresentação, uma rápida tempestade desabou sobre os setores 1 e 3 do circuito. Mudança de estratégia na última hora: todos largaram com pneus para chuva intermediária, já que a chuva, em si, já havia acabado na hora da largada, e metade da pista estava seca.

Na largada, Massa manteve a liderança, enquanto Hamilton caiu para a quinta posição. A primeira rodada de pit-stops jogou o britânico para sexto, mas o adversário à sua frente era Giancarlo Fisichella, da Force India. Apesar da pouca competitividade do carro indiano, o italiano vendeu caro a posição e obrigou Lewis a fazer uma ousada e arriscada ultrapassagem, ainda com a pista molhada, para recuperar o quinto posto.


A corrida seguiu com poucas emoções, tendo Felipe soberano na ponta e Hamilton, sem sustos, no quarto lugar. A previsão do tempo da FOM mostrava constantemente que a qualquer momento a chuva poderia voltar, mas não voltava. "Rain expected in 5 minutes" foi a mensagem mais lida ao longo da prova. Mas só voltou, definitivamente, nas dez últimas voltas, como uma garoa leve, que em pouco tempo deixou a pista quase inguiável para pneus de pista seca.

Restavam seis voltas para o final quando Massa, líder, parou nos boxes. No giro seguinte, foi a vez de Hamilton. Quando os pilotos se reorganizaram na pista, restando apenas quatro voltas para o final, o brasileiro havia se mantido na liderança, mas Lewis era o quinto colocado: Timo Glock, da Toyota, havia permanecido na pista com pneus de pista seca. Atrás do britânico, guiando feito um "demônio", Sebastian Vettel, a mais nova estrela da categoria, com a modesta Toro Rosso.

A pressão de Vettel foi tanta que Hamilton, mais uma vez, fraquejou: um erro na Junção permitiu que o alemão superasse o inglês e o jogasse para a sexta posição. A posição que lhe tirava o título.

Restavam duas voltas e meia para o fim do campeonato.

A chuva seguia, apenas em parte do circuito, apenas uma leve garoa. O autódromo estava ensandecido, em um som uníssono pouco definível. Os vizinhos gritavam, comemoravam aquele título improvável e que estava se tornando realidade da forma mais dramática possível. Massa abriu a última volta, com extrema vantagem para o segundo colocado, Fernando Alonso. A vitória estava garantida. O título, praticamente garantido.

Os deuses do automobilismo, então, resolveram aprontar mais uma das suas. A chuva apertou, caprichosamente, na última volta, apenas na metade final da volta. Massa cruzou a linha de chegada como vencedor da prova, conquistando sua segunda vitória em Interlagos e igualando Ayrton Senna, vencedor em 1991 e 1993. Mas, mais do que isso, naquele momento Felipe era campeão mundial de 2008. Aquele cenário de "quase-noite" em função da pista molhada e das nuvens carregadas que rodeavam o circuito se misturou a um som ensandecido das arquibancadas, que comemorava, pulava e gritava loucamente por uma conquista histórica que estava a poucos segundos de se converter em realidade.

Enquanto isso, Hamilton seguia feito um louco atrás de Vettel. Subia na zebra, atacava desesperadamente, buscava espaços, mas o jovem alemão comportava-se como um veterano multicampeão e não cometia um erro sequer, um único deslize. Quando o piloto da Toro Rosso cruzou a linha de chegada à frente do britânico, a festa estava completa. A torcida explodiu como em uma final de Copa do Mundo, comemorando o título de Massa.

Poucos conseguiram ver, no entanto, que Timo Glock havia perdido rendimento de forma brusca por estar com pneus para pista seca no momento em que a chuva apertou, e que havia perdido, também, sua posição tanto para Vettel quanto para Hamilton.

Com a quinta posição final, no limite, Lewis conquistou seu primeiro título mundial e silenciou as arquibancadas de Interlagos, chocando os telespectadores que assistiam, perplexos, àquela que ficou conhecida como a "Maior decisão de todos os tempos". Na última curva, da última volta, da última prova. E por um único ponto: 98 a 97.

Massa saiu da decisão - e da temporada de 2008 - extremamente fortalecido, conquistando definitivamente o status de um dos pilotos top da categoria. Mas quem fez a festa foi Lewis Carl Hamilton, que foi às lágrimas após conquistar o título que lhe havia escapado pelas mãos em 2007. O primeiro título da Grã-Bretanha desde Damon Hill, em 1996. O primeiro título da McLaren desde Mika Häkkinen, em 1999.


Ranking de Vitórias:
1º. Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 6
2º. Lewis Hamilton (GBR/McLaren) - 5
3º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 2
4º. Kimi Räikkönen (FIN/Ferrari) - 2
5º. Robert Kubica (POL/BMW Sauber) - 1
6º. Heikki Kovalainen (FIN/McLaren) - 1
7º. Sebastian Vettel (ALE/Toro Rosso) - 1


Ranking de Poles:
1º. Lewis Hamilton (GBR/McLaren) - 7
2º. Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 6
3º. Kimi Räikkönen (FIN/Ferrari) - 2
4º. Heikki Kovalainen (FIN/McLaren) - 1
5º. Sebastian Vettel (ALE/Toro Rosso) - 1
6º. Robert Kubica (POL/BMW Sauber) - 1

Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1º. Kimi Räikkönen (FIN/Ferrari) - 10
2º. Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 3
3º. Heikki Kovalainen (FIN/McLaren) - 2
4º. Nick Heidfeld (ALE/BMW Sauber) - 2
5º. Lewis Hamilton (GBR/McLaren) - 1

2008: As imagens inesquecíveis

GP de Cingapura - O caso já foi mais do que explorado. O "Crashgate" tornou-se uma espécie de informação obrigatória para qualquer um que acompanhe a F-1 com um mínimo de assiduidade.

Se é verdade que a farsa foi descoberta apenas 1 ano depois do episódio, também é verdade que Flavio Briatore e Pat Symonds, mentores do episódio, foram incrivelmente inteligentes, e até Nelsinho Piquet, protagonista desta novela, foi competente para provocar um acidente daquela maneira. Deixando de lado o caráter e a falta de espírito esportivo dos três - e porque não, também de Fernando Alonso, maior beneficiado na história e que certamente sabia do plano -, tudo foi executado à perfeição, e só tornou-se um fato público graças ao enorme bico do piloto brasileiro ao ser demitido da Renault.

Na volta de apresentação, Piquet Jr. ensaiou o movimento do acidente. Na 12ª volta, Alonso, 15° no grid e que havia largado "misteriosamente" com o tanque vazio, fez seu primeiro pit-stop. No 13° giro, Nelsinho bateu em um ponto estratégico da pista onde não havia nenhum guincho para recolher o carro, o que provocou a entrada do safety-car. Todos os demais pilotos foram para os boxes e o espanhol subiu para as primeiras posições, terminando como vencedor da prova.

O resto é história.



GP da Itália - Um dos épicos de uma temporada para "lavar a alma" dos fãs da F-1. Um inédito fim de semana de chuva torrencial em Monza, a pior equipe do grid na pole position e um pirralho alemão de pouco mais de 21 anos dando um show de frieza e talento para tornar-se o vencedor mais jovem da história da categoria.

Hoje, o tal alemão é o atual vice-campeão mundial e um dos favoritos à taça de 2010. E ainda é um pirralho...



GP da Bélgica - Em outra corrida fantástica do Mundial de 2008, Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen travaram, nas últimas voltas, um duelo de tirar o fôlego. A briga valia a vitória. Para o inglês, valia ampliar a vantagem na liderança da tabela de pontos. Para o finlandês, valia a sobrevida na luta pelo bicampeonato, em uma temporada para lá de apagada.

Ambos duelaram como titãs. Lewis levou a melhor em uma manobra controversa. Kimi, metros depois, se embananou todo no meio da chuva que havia apertado na região das Ardenhas e acabou rodando, batendo e abandonando as chances de ser bicampeão. E, no fim das contas, quem levou a melhor foi Felipe Massa, segundo colocado na prova mas que herdou a vitória, já que o britânico da McLaren perdeu 25 segundos em seu tempo final de prova por não ter, segundo os comissários da FIA, devolvido de forma correta a primeira posição a Räikkönen após ultrapassá-lo pela área de escape.

De qualquer forma, vale pelo show. Seria a vitória mais brilhante da carreira de Lewis. Não foi. Mas ficou para a história.



GP do Brasil - As últimas dez voltas da maior e mais improvável decisão de campeonato de todos os tempos. Dispensa apresentações.


Dezembro 29, 2009

BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (9)

Guarulhos | Continuando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, o BRF1 recorda hoje a temporada de 2007, que rendeu a Kimi Räikkönen seu primeiro título mundial na categoria.

>> Confira o resumo da temporada de 2000
>> Confira o resumo da temporada de 2001
>> Confira o resumo da temporada de 2002
>> Confira o resumo da temporada de 2003
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2007: Trinca de Ases

O campeonato da F-1 em 2007 já gerava enorme expectativa desde antes mesmo de seu início. O mercado de pilotos havia movido suas principais peças e a estrela maior, Michael Schumacher, estaria ausente de sua primeira temporada desde 1991. A expectativa para descobrir quem seria, de fato e de direito, o novo "rei" após a aposentadoria do alemão, era enorme.

Ferrari e McLaren se armaram para a disputa. A equipe de Maranello contratou, a peso de ouro, Kimi Räikkönen. O finlandês teria a nada fácil missão de substituir Schumacher e de superar Felipe Massa, prata da casa e "queridinho" da escuderia italiana. Por outro lado, Ron Dennis trouxe, enfim, Fernando Alonso, atual bicampeão mundial, para substituir o finlandês e conquistar o título que não vinha desde 1999.

A Renault, dona dos dois últimos títulos de Pilotos e Construtores, havia mantido o pouco combativo Giancarlo Fisichella e promovido a estreia de um finlandês aparentemente promissor, Heikki Kovalainen, campeão da GP2 no ano anterior. Havia pouco a se esperar dos franceses, portanto, a disputa deveria ser polarizada entre Ferrari e McLaren.


Alonso era o grande favorito, já que dividiria a equipe com um jovem promissor que estava apenas fazendo sua estreia na categoria: Lewis Hamilton, o primeiro negro a pilotar oficialmente um carro de F-1. Na Ferrari, sabia-se que Kimi e Felipe travariam um duelo feroz e roubariam pontos um do outro, o que poderia comprometer não só a disputa em si como também o relacionamento interno entre ambos.

Todas as atenções estavam voltadas para a dupla Ferrari. Poucos imaginavam, no entanto, que a "bomba" explodiria na dupla da equipe inglesa.

O campeonato de 2007 foi fantástico do início ao fim. A começar pela vitória de Räikkönen logo em sua primeira corrida pela Ferrari, no GP da Austrália, imediatamente ofuscando Massa, que mais uma vez enfrentou uma prova problemática na pista de Melbourne e cruzou a linha de chegada em sexto lugar.


No entanto, até mesmo a vitória de Kimi foi ofuscada pelo estreante Hamilton, que manteve um ritmo alucinante durante toda a prova, atacando zebras e pilotando de forma agressiva, e cruzou a linha de chegada em 3º lugar, subindo ao pódio em sua primeira prova na F-1.

Lewis continuou roubando a cena na prova seguinte, na Malásia, quando deu um show para cima de Massa e completou a dobradinha da McLaren em prova vencida por Alonso, que assumia a liderança do campeonato com 18 pontos, contra 16 de Räikkönen e 14 do jovem inglês.

No Bahrein, enfim, a primeira vitória de Felipe, após dois resultados muito ruins nas duas primeiras etapas. A combinação de resultados promovia um inédito empate triplo na liderança do campeonato, com Alonso, Räikkönen e Hamilton levando os mesmos 22 pontos, apenas cinco a mais que o brasileiro da Ferrari.

Na Espanha, quarta etapa do Mundial, a surpresa maior: após conquistar seu quarto pódio consecutivo - três deles na 2ª posição -, Lewis assumiu a liderança do campeonato, com 30 pontos, dois a mais que Alonso e três a mais que Massa, que com mais uma vitória, pulou para a terceira posição e entrou de vez na disputa.

Até o momento, apesar da surpreendente disputa interna na McLaren, o clima na equipe de Woking era de paz. Mas o cenário mudaria bruscamente a partir do GP de Mônaco, quinta etapa de 2007. Alonso, vencedor da prova, passou todas as 72 voltas com seu companheiro de equipe literalmente colado na traseira de seu carro. Hamilton tinha um melhor desempenho, mas não ganhou o aval de Ron Dennis para tentar a ultrapassagem sobre o espanhol.

Após a prova, o jovem britânico - que agora dividia a liderança do campeonato com seu companheiro de equipe, ambos com 38 pontos - reclamou publicamente da postura da McLaren e do próprio Alonso e inciou um processo de pressão interna que começou a implodir a relação dentro do time.


No GP do Canadá, após cinco pódios consecutivos e quatro segundos lugares, Lewis finalmente chegou à sua primeira vitória e disparou na pontuação, assumindo isoladamente a liderança do Mundial, oito pontos à frente de Alonso e 15 à frente de Massa, 3º colocado. O inglês repetiria a dose em Indianápolis e ampliaria para dez pontos sua vantagem.

A F-1 havia se livrado do dominante Schumacher, para ver um jovem estreante vindo "do nada" parecer praticamente perfeito em sua pilotagem e em seus resultados. Hamilton estava pronto para a F-1 e se encaminhava para ser o primeiro campeão estreante em todos os tempos.

O campeonato parecia estar nas mãos da McLaren, que aparentemente tinha o melhor carro do grid, levemente superior à Ferrari. Na França, Lewis fez o necessário para chegar a seu incrível oitavo pódio consecutivo, enquanto Alonso foi apenas o sétimo colocado. Räikkönen voltaria a vencer após seis provas, mas estava nada menos que 22 pontos atrás de Hamilton, que já abria 14 de vantagem para seu companheiro de equipe. Um verdadeiro banho em meio a tanto equilíbrio.

Na Inglaterra, Kimi tornou-se o primeiro piloto na temporada a vencer mais de duas provas: seu terceiro triunfo o recolocou na terceira posição, novamente à frente de Massa, mas ainda 18 pontos atrás do líder do campeonato.

Foi no GP da Europa, uma das provas mais emocionantes da temporada, que o Mundial de Pilotos voltou a ganhar equilíbrio: Hamilton não marcou pontos e Alonso ganhou a vitória na raça, superando Massa em dura disputa a apenas três voltas do final. A tabela, agora, mostrava 70 pontos para Lewis, contra 68 de Alonso e 59 de Felipe. Räikkönen, quarto colocado, aparecia com 52.


Na Hungria, o ponto alto da rivalidade entre Hamilton e Alonso: inconformado com a estratégia da McLaren, que claramente favorecia o inglês, o espanhol parou seu carro nos boxes durante o treino de classificação e impediu a entrada de Lewis para seu reabastecimento, prejudicando o britânico, que não conseguiu registrar uma nova volta rápida.

Punido com a perda de cinco posições no grid, Fernando viu seu rival vencer e voltar a disparar na liderança do campeonato. Ambos cortaram relações e transformaram o ambiente dentro da escuderia de Woking em um verdadeiro inferno.

Na Turquia, 12ª etapa do campeonato, Massa venceu, mas apesar de estar à frente de Räikkönen, aparecia 15 pontos atrás de Hamilton. A disputa pelo título parecia restrita à dupla da McLaren, e as comparações com a rivalidade entre Senna e Prost em 1988 eram inevitáveis.


Na Itália, Alonso deu show, fez pole, vitória e volta mais rápida e diminuiu para apenas três pontos a diferença para Lewis. Massa terminaria a prova à frente de Kimi, mas uma quebra em seu motor Ferrari fez com que o finlandês completasse o pódio e assumisse a terceira posição no campeonato. O brasileiro não conseguiria mais alcançar seu companheiro de equipe.

Em Spa-Francorchamps, Räikkönen voltou a vencer. No entanto, o finlandês tinha apenas 84 pontos, contra 95 de Alonso e 97 de Hamilton. Restando apenas três provas para o final, as chances do finlandês eram cada vez menores. Felipe já estava praticamente fora da disputa.

Na antepenúltima prova do campeonato, no Japão, Lewis tornou-se o virtual campeão. Infernal, o inglês dominou a prova, ficou com a vitória e ainda viu seu companheiro de equipe abandonar a prova, com Kimi apenas em terceiro. Na tabela, o inglês tinha 12 pontos de vantagem para Alonso e 17 para Räikkönen, com apenas 20 pontos em disputa. O título, histórico, era apenas uma questão de confirmação.

Mas o esporte às vezes pode ser traiçoeiro. Hamilton desembarcou na China precisando apenas de um quinto lugar para erguer a taça. O clima, instável, era favorável ao inglês, que se mostrou um bom piloto na chuva.

A largada foi dada com asfalto molhado e chuva. Aos poucos, a chuva parou e a pista foi secando. Lewis, com pneus para pista molhada, atrasou seu pit-stop, se manteve na pista e travou um duelo desnecessário com Räikkönen pela liderança, com direito a um toque entre ambos e à clara vantagem do finlandês que, já com pneus para pista seca, assumiu a liderança da prova.

No giro seguinte, o piloto da McLaren entrou no pit lane para enfim trocar os pneus. Afobado, atrasou demais a freada para a curva que dava acesso aos boxes e passou reto, atolando em uma traiçoeira caixa de brita instalada bem ao lado do curto traçado. Era o primeiro erro crasso de Hamilton na temporada, na antepenúltima corrida do ano. Fim de prova para o britânico, vitória de Kimi, com Alonso em segundo.


Restava apenas uma prova, o GP do Brasil. Lewis ainda era o líder do campeonato, com 107 pontos, contra 103 de Fernando e apenas 100 de Kimi, que ainda tinha pequenas chances matemáticas de ficar com a taça. Interlagos testemunharia uma histórica decisão tripla pelo título.

No grid, Massa, já sem chances de ser campeão e cumprindo o papel de escudeiro de Räikkönen na quase impossível missão de conquistar o título, sobrou e cravou a pole position. Hamilton, em seu segundo "match point", conquistou a segunda posição, com Kimi em terceiro e Alonso em quarto.

Na largada, o brasileiro manteve a ponta, Kimi pulou para a segunda posição e trouxe Alonso consigo. Em má largada, Lewis despencou para a quinta posição.

Na segunda volta, as câmeras mostram as imagens de uma McLaren se arrastando pela pista. Era o carro de nº 2. O carro de Hamilton, que havia caído para a última posição e dava indícios de que abandonaria a prova. No entanto, poucos metros depois, o inglês conseguiu retormar o desempenho norma de sua McLaren. Por engano, o jovem piloto havia apertado em seu volante o botão "N", de Neutral, e seu carro havia entrado em ponto morto. Quando o próprio britânico corrigiu o problema, era tarde demais.

Mesmo em prova de recuperação, Hamilton não conseguiu ir além da sétima posição final. Na frente, a Ferrari acertou na estratégia e, após o último pit stop, Kimi surgiu à frente de Felipe, para assumir a liderança da prova e não perdê-la mais. Alonso, terceiro, dependia da vitória para ficar com o título.

Desta forma, no resultado mais improvável possível, o azarão Räikkönen conquistou seu primeiro título mundial, em uma virada espetacular, pulando para 110 pontos, contra 109 de Hamilton e de Alonso. Do campeão ao terceiro colocado, apenas um mísero ponto de diferença.

Para complicar a situação da McLaren, o time perdeu todos os pontos conquistados ao longo do ano - pontos que lhe valeriam o título Mundial de Construtores - em função do escândalo do StepeneyGate, onde dois funcionários da equipe prateada roubaram dados confidenciais de projetos da Ferrari. A escuderia britânica ficou também sem Fernando Alonso, que deu um pé em Ron Dennis e voltou para a Renault.

Uma temporada imprevisível, equilibrada e realmente inesquecível.


Ranking de Vitórias:
1º. Kimi Räikkönen (FIN/Ferrari) - 6
2º. Fernando Alonso (ESP/McLaren-Mercedes) - 4
3º. Lewis Hamilton (GBR/McLaren-Mercedes) - 4
4º. Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 3

Ranking de Poles:
1º. Lewis Hamilton (GBR/McLaren-Mercedes) - 6
1º. Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 6

3º. Kimi Räikkönen (FIN/Ferrari) - 3
4º. Fernando Alonso (ESP/McLaren-Mercedes) - 2

Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1º. Kimi Räikkönen (FIN/Ferrari) - 6
1º. Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 6

3º. Fernando Alonso (ESP/McLaren-Mercedes) - 3
4º. Lewis Hamilton (GBR/McLaren-Mercedes) - 2

Acontecimentos:
- Estreia de Lewis Hamilton na F-1, pela equipe McLaren.
- Estreia de Sebastian Vettel na F-1, pela equipe Toro Rosso.
- Estreia de Kimi Räikkönen na Ferrari.
- Despedida de Giancarlo Fisichella da Renault, após três temporadas.
- Única temporada de Fernando Alonso pela Mclaren.
- Despedida da equipe Spyker da F-1, após pouco mais de uma temporada.

2007: As imagens inesquecíveis

GP do Japão - Na emocionante corrida disputada no circuito de Fuji e que praticamente definiu o título a favor de Lewis Hamilton - a combinação de resultados o colocava 17 pontos à frente do vice-líder, Fernando Alonso, com 20 pontos em disputa -, uma disputa pelo modesto sexto lugar, que poderia perfeitamente passar em branco, transformou-se em um quase épico, comparável a um duelo verdadeiramente inesquecível entre Gilles Villeneuve e René Arnoux no GP da França de 1979.

Felipe Massa e Robert Kubica duelaram feito dois malucos nas últimas duas voltas, como se tal duelo valesse um título mundial. Com as condições de visibilidade quase nulas, ambos transformaram em pista tudo o que viram pela frente, incluindo grama e áreas de escape, e travaram uma disputa de prender a respiração. Infelizmente, as imagens da transmissão não flagraram todo o duelo. Mas no YouTube, desde poucas horas depois do GP, surgiram imagens de toda a última volta na câmea onboard de Massa. É, realmente, de perder o fôlego.



GP da China - Lewis Hamilton chegou à Xangai com total condição de conquistar o título antecipado. Dono da pole position e em uma temporada com rendimento implacável, tendo ficado de fora do pódio apenas uma vez nas 16 etapas anteriores e embalado pela consagradora vitória no Japão, o primeiro título de um estreante na F-1 - exceção, claro, ao campeão mundial de 1950, Nino Farina - parecia até mesmo óbvio.

Aí...



GP do Canadá - No circuito de Montréal, um dos favoritos de 9 entre 10 pilotos do grid da F-1, Robert Kubica protagonizou aquele que talvez tenha sido, plasticamente, o acidente mais grave da década.

Perto do Hairpin, o polonês passou reto ao tentar ultrapassar Ralf Schumacher, alçou vôo e bateu de frente no muro, em um ponto improvável para um acidente de tamanha proporção. O carro capotou e ficou completamente destruído, expondo os pés do piloto para fora do cockpit. No entanto, o então piloto da BMW sofreu apenas uma leve torção no tornozelo e ficou apenas um dia em observaçao em um hospital local.


Dezembro 28, 2009

BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (8)

Guarulhos | Continuando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, o BRF1 recorda hoje a temporada de 2006, que consagrou Fernando Alonso como bicampeão mundial da categoria.

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2006: Lenda vs. sucessor

Após o primeiro título mundial de Fernando Alonso, os olhos do mundo já olhavam para o espanhol como o possível sucessor de Michael Schumacher - até porque a aposentadoria do alemão era cada vez mais cogitada e parecia próxima de se tornar realidade.

Com isso, o então piloto da Renault iniciou o campeonato não só como o homem a ser batido, como também o dono da máquina a ser batida: o R26 era uma evolução do R25, carro que havia levado o título mundial de Construtores em 2005. Giancarlo Fisichella parecia ser uma espécie de segundo piloto ideal: inofensivo, rápido e capaz de assegurar pontos preciosos.

Por outro lado, embora ainda houvesse certa incerteza com relação ao desempenho da McLaren do atual vice-campeão Kimi Räikkönen, sabia-se que um certo heptacampeão mundial estava mordido e pronto para voltar com força total à luta pelo título: o 248F1, novo carro da Ferrari, parecia ser capaz de dar a Schumacher a chance de brigar ponto a ponto pelo octacampeonato.

Logo na abertura da temporada, no GP do Bahrein, viu-se a tônica do que aconteceria ao longo de todo o campeonato: o alemão na pole-position, o espanhol no lugar mais alto do pódio, pouco mais de 1s à frente do tedesco.


Na Malásia, segunda etapa do ano, um fim de semana iluminado de Fisichella, com pole e vitória para o italiano em dobradinha da Renault, que já se mostrava, mais uma vez, o carro a ser batido.

Na Austrália, nova vitória de Alonso, a segunda no ano. O espanhol, mais uma vez, protagonizava uma bela arrancada no início do campeonato, abrindo 28 pontos, contra 14 de Fisichella e Räikkönen e apenas 11 de Schumacher.

Em San Marino, no entanto, o que se viu foi uma daquelas quase ironias que só o esporte é capaz de promover. No mesmo palco onde Fernando "roubou o cetro" de Michael no ano anterior, contendo de forma magistral a pressão do alemão durante nada menos que as 11 voltas finais e levando a vitória, o que se viu foi exatamente o cenário inverso: uma Ferrari na frente, uma Renault atrás, na pressão, de forma alucinante, durante as últimas dez voltas.

Schumacher levou a melhor. E se recolocou na condição de vice-líder e rival de Alonso.


No entanto, o espanhol estava impossível. Embora tenha perdido para o alemão a prova seguinte, em Nürburgring, venceu nada menos que quatro vezes consecutivas, na Espanha - sua primeira vitória em casa -, em Mônaco, na Inglaterra e no Canadá.

Na metade exata do campeonato, Alonso já aparecia com incríveis 84 pontos, contra apenas 59 de Schumacher. Nas vitórias, seis para o piloto da Renault contra duas para o piloto da Ferrari. Tudo levava para o bicampeonato do asturiano.

Mas Schumi "tirou coelho da cartola", como diria Galvão Bueno: venceu as três provas seguintes e a cinco provas do fim do campeonato, levou a diferença de 25 pontos para apenas dez.

Na Itália, restando apenas três provas para a decisão do título, um golpe de sorte que parecia ter selado a arrancada de Michael e seu possível octacampeonato: no mesmo fim de semana em que anunciou sua aposentadoria imediatamente após o encerramento de 2006, o piloto da Ferrari viu Alonso sofrer um estouro em seu motor Renault e venceu pela sexta vez no ano, diante dos "tifosi", igualando o número de vitórias de seu rival na temporada e elevando a adrenalina para a decisão do campeonato ao seu máximo.

Agora, o placar mostrava Alonso com 108 pontos, e Schumacher com 106.


A etapa seguinte, na China, traria uma combinação de resultados quase enlouquecedora: com mais uma vitória, o heptacampeão assumiu a liderança do campeonato, tendo exatamente o mesmo número de pontos do espanhol: 116 a 116. Restavam apenas duas provas para a decisão. O gênio multicampeão lutando ponto a ponto contra o maior talento da nova geração, tido como o "sucessor" de seu maior rival.

No entanto, os deuses do automobilismo, desta vez, abandonaram Schumacher. Conhecido tanto por seu talento estratosférico quanto por sua sorte quase surreal, o alemão viu, desconsolado, o motor de sua Ferrari ir pelos ares no GP do Japão, penúltima prova do campeonato, vencida por Alonso. A combinação de resultados fazia com que o espanhol abrisse dez pontos de vantagem para o ferrarista, com exatos dez pontos em disputa.


Coube ao piloto da Renault correr pelo resultado na última prova do ano, em Interlagos - algo que se tornou uma das principais características do asturiano. Dono da pole-position, Alonso abdicou da vitória para cruzar a linha de chegada em uma confortável 2ª posição que lhe assegurou o bicampeonato mundial. Schumacher deu show, mas chegou apenas em quarto lugar e encerrou o ano com 121 pontos e o vice-campeonato, contra 134 do campeão.

Para muitos, o Mundial de 2006 marcou uma das disputas em mais alto nível desde os duelos entre Ayrton Senna e Alain Prost. Um gênio do esporte abandonava as pistas, deixando o caminho aberto para uma provável nova hegemonia: Alonso, bicampeão, se mudaria para a McLaren no ano seguinte e deveria liderar a equipe, já que correria ao lado de um jovem novato, o então desconhecido e promissor Lewis Hamilton.


Ranking de Vitórias:
1º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 7
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 7

3º. Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 2
4º. Giancarlo Fisichella (ITA/Renault) - 1
5º. Jenson Button (GBR/Honda) - 1

Ranking de Poles:
1º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 6
2º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 4
3º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 3
4º. Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 3
5º. Giancarlo Fisichella (ITA/Renault) - 1
6º. Jenson Button (GBR/Honda) - 1

Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 7
2º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 5
3º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 3
4º. Felipe Massa (BRA/Ferrari) - 2
5º. Nico Rosberg (ALE/Williams-Cosworth) - 1

Acontecimentos:
- Despedida de Michael Schumacher da F-1, após 16 temporadas e sete títulos mundiais.
- Despedida de Kimi Räikkönen da McLaren, após cinco temporadas.
- Despedida de Juan Pablo Montoya da F-1, após seis temporadas e sete vitórias.
- Despedida de Jacques Villeneuve da F-1, após 11 temporadas e um título mundial.
- Estreia de Felipe Massa na Ferrari, conquistando sua primeira vitória na F-1 no GP da Turquia.
- Estreia de Rubens Barrichello na equipe Honda.
- Estreia da equipe BMW, em substituição à Sauber.
- Estreia da equipe Toro Rosso, em substituição à Minardi.
- Estreia e despedida da equipe Midland, substituta da Jordan.
- Estreia da equipe Super Aguri.
- Retorno da equipe Honda à F-1, após quase quatro décadas de ausência

2006: As imagens inesquecíveis

GP de San Marino - Como por um capricho do destino, em uma daquelas coincidências com as quais a vida nos surpreende vez ou outra, o mesmo circuito de Imola, que em 2005 já havia servido como palco para um embate épico entre Fernando Alonso e Michael Schumacher, foi, também, o local da revanche do alemão sobre o agora campeão mundial espanhol.

As semelhanças entre os duelos de 2006 e 2006 são quase mórbidas, tendo como única diferença o carrinho vermelho desta vez na frente, e não atrás, do azul e amarelo. Um verdadeiro duelo de titãs que, como qualquer outro, é inesquecível para os fãs de F-1. E por isso merece ser visto e revisto incontáveis vezes.




GP da Hungria - Presente no calendário da F-1 de forma ininterrupta desde 1986, o circuito de Hungaroring havia testemunhado poucos momentos úteis até a temporada de 2006. Como lembranças mais relevantes, talvez, o épico duelo entre Ayrton Senna e Nelson Piquet, no mesmo ano de 1986, e a primeira vitória do agora campeão mundial Fernando Alonso, em 2003. No mais, o GP da Hungria era aquele no qual, tradicionalmente, valia a pena dormir um pouco mais no domingo, já que o pole position fatalmente ficaria com a vitória e a corrida, naquelas curvas apertadas do circuito magiar e debaixo de um calor escaldante, seria um porre.

Mas, sabe lá Deus por que, o domingo amanheceu tempestuoso em Budapeste. E chuva na Hungria era um sinal de que coisas absurdas estavam por ocorrer. Uma vitória de Jenson Button, quem sabe? Sim. A primeira (e única) vitória da Honda após o curto retorno da equipe à F-1 foi, também, a primeira vitória de um futuro campeão mundial. Como Alonso, que deu um verdadeiro show de ultrapassagens e acabou a prova na proteção de pneus.

Quem diria?




GP do Brasil - Tradicionalmente, Interlagos recebe provas agitadas e emocionantes. Desde 2005, passou a receber, também, decisões de títulos mundiais. Assim foi em 2006. A pista brasileira seria palco de diversas atrações, como a então última corrida de Michael Schumacher na F-1, com remotas chances de ser octacampeão mundial; a possibilidade de ver Fernando Alonso ficar com o bicampeonato no mesmo autódromo que o consagrou como campeão no ano anterior; por fim, quem sabe, a primeira vitória brasileira em São Paulo desde Ayrton Senna em 1993, já que Felipe Massa havia conseguido, com sobras, a pole position para a prova.

Se da segunda posição para trás a corrida foi agitada, com um show de Schumacher, acidentes e uma corrida segura de Alonso para levar o segundo título, a primeira posição não foi ameaçada em nenhum momento. Massa venceu de ponta a ponta, quebrou o jejum brasileiro em Interlagos e assumiu de vez o posto de ídolo brasileiro na F-1.




Dezembro 27, 2009

BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (7)

Guarulhos | Continuando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, o BRF1 recorda hoje a temporada de 2005, que marcou o surgimento definitivo de uma nova geração e consagrou Fernando Alonso como o então campeão mais jovem da história da categoria.

>> Confira o resumo da temporada de 2000
>> Confira o resumo da temporada de 2001
>> Confira o resumo da temporada de 2002
>> Confira o resumo da temporada de 2003
>> Confira o resumo da temporada de 2004


2005: Uma nova geração, um novo rei

A F-1 vivia dias monótonos. A audiência da categoria ao redor do planeta diminuia bruscamente em função da quase mórbida hegemonia de Michael Schumacher e da Ferrari, detentores dos últimos cinco campeonatos mundiais até aquele início de 2005. Em 2004, havia sido um massacre histórico daquele que já era o maior piloto de todos os tempos e corria pela equipe que tem tanta tradição quanto a própria F-1.

O que se previa para 2005 era mais um banho de Schumacher a bordo do carro vermelho. Ninguém esperava por uma surpresa. A dita categoria máxima do automobilismo vivia uma terrível crise de identidade e estava refém de si mesma, se confundindo com a imagem do alemão queixudo e do "Cavalinno Rampante".

Os fãs esperavam por uma surpresa, um novo show, um novo talento, um novo campeão. E o GP da Austrália, etapa que abriu o campeonato daquele ano, mostraria como líder da tabela de classificação e candidato a novo campeão um piloto chamado... Giancarlo Fisichella!?

Em sua estreia pela Renault, a bordo do refinado R25, o italiano só não fez chover em Melbourne e assombrou Fernando Alonso, prata da casa e dono do status de futuro campeão. Com pole e vitória, Fisico saiu de Albert Park como líder do Mundial de Pilotos e como um piloto que, enfim, dava indícios de que confirmaria as expectativas depositadas sobre seus ombros durante tantos anos, a de um vencedor nato de corridas e candidato a títulos.

No entanto, as três etapas seguintes simplesmente aniquilaram Fisichella. Foram três abandonos consecutivos, dois deles em função de precipitação ou erro dele próprio. Por outro lado, Alonso avançava de forma feroz em busca de seu primeiro título mundial, marcando três vitórias seguidas _uma delas, um verdadeiro épico, segurando Michael Schumacher em seu encalço durante 11 voltas, no GP de San Marino.


Nesta altura, Alonso já despontava com 36 pontos, contra 20 do então vice-líder, o inofensivo Jarno Trulli, da instável Toyota. Fisichella já carregava a sombra de ser segundo piloto do asturiano e não oferecia mais perigo com seus dez pontos conquistados na Austrália _mesma quantidade de pontos marcados por Schumacher, que sofria com a pouco equilibrada F2005.

Em resumo: Fernandito não tinha rivais, a Renault já era conhecida como "Ferrari Azul", dada sua extrema competitividade, e apostar em um título do jovem espanhol era tarefa das mais fáceis.

Até que o desafiante surgiu: Kimi Räikkönen, o "Iceman".


O finlandês da McLaren veria sua reputação de "Homem de Gelo" dar lugar ao rótulo de "Pé de Gelo", em função dos quase inacreditáveis momentos de azar que protagonizou ao longo da temporada.

Para começar, enquanto Alonso saiu da 4ª prova do ano com 36 pontos, Kimi havia conquistado míseros sete pontos e era um modesto 11º colocado no Mundial de Pilotos.

No entanto, bastaram apenas mais duas provas para que o finlandês se estabelecesse como vice-líder do campeonato, com duas vitórias incontestáveis que assombraram o poderio da Renault e colocaram o piloto da McLaren como um dos postulantes ao título - mesmo com 22 pontos de desvantagem para o líder.

O duelo que se desenhou em 2005 foi o primeiro da década no qual pilotos da nova geração lutaram diretamente pela taça. De um lado, um Alonso preciso, técnico e estrategista pilotando um Renault R25 veloz, equilibrado e confiável; do outro, um Räikkönen velocíssimo e demasiadamente arrojado, ainda talhando sua melhor forma, pilotando um McLaren-Mercedes MP4-20, o melhor carro do grid, mas um dos menos confiáveis, ora em função dos excessos do próprio Kimi, ora em função das sucessivas falhas mecânicas.


Normalmente, quando o espanhol vencia, o nórdico quebrava. Quando era a vez de o finlandês subir ao alto do pódio, Fernando quase sempre estava no pódio. A regularidade do asturiano lhe rendeu sete vitórias, 133 pontos e um total de impressionantes 15 pódios em 19 provas - números que lhe fizeram, na ocasião, ser o campeão mundial mais jovem da história da F-1, com pouco mais de 23 anos.

Kimi, por sua vez, conseguiu as mesmas sete vitórias de seu adversário, mas subiu ao pódio quatro vezes a menos que o então piloto da Renault. Seus 112 pontos lhe valeram o segundo vice-campeonato de sua carreira - o primeiro havia sido conquistado em 2003.

À outrora dominante Ferrari, restou apenas um distante terceiro lugar nos Mundiais de Pilotos e Construtores, além de uma única vitória - no polêmico e inesquecível GP dos EUA, quando apenas seis carros largaram.

O mundo se curvava a um novo campeão, que a esta altura já era tido como o sucessor do trono que em breve seria deixado por Michael Schumacher: Fernando Alonso Díaz.


Ranking de Vitórias:
1º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 7
1º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 7

3º. Juan Pablo Montoya (COL/McLaren-Mercedes) - 3
4º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 1
5º. Giancarlo Fisichella (ITA/Renault) - 1

Ranking de Poles:
1º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 5
2º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 5

3º. Juan Pablo Montoya (COL/McLaren-Mercedes) - 2
4º. Nick Heidfeld (ALE/Williams-BMW) - 1
5º. Jenson Button (GBR/BAR Honda) - 1
6º. Jarno Trulli (ITA/Toyota) - 1
7º. Ralf Schumacher (ALE/Toyota) - 1
8º. Giancarlo Fisichella (ITA/Renault) - 1

Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 10
2º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 3
3º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 2
4º. Pedro De La Rosa (ESP/McLaren-Mercedes) - 1
5º. Giancarlo Fisichella (ITA/Renault) - 1
6º. Juan Pablo Montoya (COL/McLaren-Mercedes) - 1
7º. Ralf Schumacher (ALE/Toyota) - 1

Acontecimentos:
- Despedida de Rubens Barrichello da Ferrari, após seis temporadas.
- Despedida de Felipe Massa da Sauber, após três temporadas.
- Despedida de Takuma Sato da BAR, após três temporadas incompletas.
- Despedida da equipe BAR, após sete temporadas.
- Despedida da equipe Sauber, após 12 temporadas.
- Despedida da eqiupe Jordan, após 15 temporadas.
- Despedida da equipe Minardi, após 21 temporadas.
- Primeiro pódio de um piloto português na história da F-1 (Tiago Monteiro, GP dos EUA)
- Estreia de Giancarlo Fisichella na Renault.
- Estreia de Juan Pablo Montoya na McLaren.
- Estreia da equipe Red Bull na F-1, em substituição à Jaguar.
- Estreia de David Coulthard na Red Bull.

2005: As imagens inesquecíveis

GP de San Marino - Se a pista de Ímola ficou eternamente marcada pela morte de um dos maiores gênios da história da F-1, Ayrton Senna, em 2005 o circuito transformou-se em palco de um verdadeiro duelo de titãs - um duelo que consagrou Fernando Alonso como um piloto definitivamente diferenciado.

Michael Schumacher, brigando com um carro arredio e pouco competitivo, voltou a mostrar-se combativo graças ao asfalto frio de San Marino. Mesmo largando longe da primeira posição, o heptacampeão fez uma corrida alucinante, engoliu um a um seus adversários sem tomar conhecimento de nenhum deles, guiando feito um jovem iniciante.

Quando se livrou de Jenson Button, há pouco mais de 20 voltas para o final, sua diferença para o líder da prova, Alonso, era de 24s. Dez voltas depois, Schumacher estava a menos de 1s do espanhol. Era impressionante o desempenho do piloto da Ferrari, e sua vitória parecia certa.

Mas tão impressionante quanto a ascensão de Michael foi a postura de Fernando. Como um veterano multicampeão, não cedeu em nenhum momento à pressão implacável do ferrarista e venceu com pouco mais de 0s3 de vantagem. As últimas voltas foram de tirar o fôlego, de levantar do sofá, da arquibancada, e contemplar um dos duelos mais significativos da década.

Ali, dizem, Alonso "tomou a coroa" de Schumacher.



GP do Japão - A 18ª e penúltima etapa do Mundial de 2005, já com Alonso campeão, foi uma espécie de épico para coroar a temporada que provocou o "renascimento" da F-1 após cinco anos de um maçante domínio de Michael Schumacher. Em uma corrida repleta de ultrapassagens além dos limites, acidentes e performances brilhantes, o desempenho de Kimi Räikkönen destoou dos demais.

O finlandês causou suspiros nos mais críticos fãs da categoria ao exibir uma pilotagem que beirou o inacreditável. Largando na 17ª posição no grid, o "Iceman" ultrapassou, na pista, todos os seus adversários, de forma impetuosa, e roubou de Giancarlo Fisichella a primeira posição na última volta, com uma ultrapassagem fenomenal.

Tal desempenho acabou ofuscando a prova também brilhante de Fernando Alonso, que largou atrás de Kimi e terminou na terceira posição, com direito a uma ultrapassagem por fora sobre Schumacher na temida curva 130R. E mesmo o próprio Fisichella, que liderou praticamente toda a corrida e perdeu a vitória somente na última volta, também teve sua rara boa prova jogada ao esquecimento.



GP dos Estados Unidos - Um dos palcos mais respeitados e tradicionais da história do automobilismo mundial, Indianapolis testemunhou no dia 19 de junho de 2005 um dos capítulos mais vexatórios de todos os tempos no esporte a motor. Uma "vergonha histórica".

No ano anterior, o forte acidente de Ralf Schumacher, então na Williams, havia chamado a atenção pela forma como o pneu de seu carro havia simplesmente estourado na desafiadora curva de acesso à reta principal do circuito. O alemão chegou a ficar desacordado no carro e perdeu as cinco provas seguintes em função dos danos causados pela batida, que poderia ter tido consequências muito piores. Fernando Alonso também havia batido em plena reta, também por um estouro repentino no pneu traseiro esquerdo.

Já nos treinos livres para a edição de 2005 da prova, além de o próprio Ralf Schumacher, agora na Toyota, praticamente ter vivido um replay do grave acidente do ano anterior - no mesmo trecho da pista, praticamente com o mesmo movimento, novamente em função de um problema nos pneus -, Ricardo Zonta, terceiro piloto da escuderia japonesa, também havia batido por um estouro no pneu.

A coincidência ligando todos estes casos? Rigorosamente, todos os pneus eram da Michelin. Fotos flagraram que os compostos franceses praticamente se desmanchavam nos trechos de alta velocidade do circuito norte-americano. A solução seria criar uma chicane improvisada no curvão que dá acesso à reta, cancelar a prova ou conseguir uma nova remessa de pneus vindos da França.

Nenhuma das alternativas foi concretizada, e como resultado, todas as equipes equipadas com pneus Michelin boicotaram a prova após a volta de apresentação, sem aviso. Largaram apenas os seis carros equipados com pneus Bridgestone: Ferrari, Jordan e Minardi.

Schumacher venceu, Barrichello ficou em segundo lugar, e o português Tiago Monteiro, da Jordan, foi o "melhor do resto". Após o episódio, a Michelin deixaria a F-1 após 2006 e Indianapolis jamais voltaria a ver os carros da categoria.

As cenas abaixo são emblemáticas.