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>> Foto: César Ramos testa Ferrari

Guarulhos | ... e lá se vai o maior piloto de testes de todos os tempos.
Espécie de onipresença na equipe de Maranello ao longo de mais de uma década, o italiano estreou na categoria em 1993, pela modesta Scuderia Italia. Sua falta de habilidade, aliada à fraca performance da equipe, causou sua desistência em oito das 14 provas que disputou no ano - em duas delas, não conseguiu se classificar para o grid. Época de pré-classificação... outros tempos. Apesar disso, foi justamente neste ano que Luca conseguiu seu melhor resultado na carreira, o 7º lugar no GP de San Marino.

Voltou após um intervalo de um ano, em 1995, pela Minardi. O resultado foi um pouco menos pior: abandonou apenas sete das 15 etapas das quais participou. No Canadá e na Hungria, conseguiu chegar em 8º lugar, até então seu melhor resultado na carreira.
Em 1996, correu pela ítalo-brasileira Forti Corse. Em dez participações, conseguiu a dupla proeza de completar apenas duas provas e não conseguir se classificar para nada menos que quatro.
Teve nova chance em 1999, novamente pela Minardi. Foram 15 corridas e impressionantes 9 abandonos, além da tragicômica cena protagonizada no caótico GP da Europa, quando vinha na 5ª posição e se preparava para marcar os primeiros pontos de sua carreira, quando seu carro acusou pane seca. Badoer ajoelhou-se e chorou copiosamente apoiando-se no cockpit do M195 (ver vídeo no fim do post).

Veio então a oportunidade como test-driver da Ferrari. Badoer, cujo primeiro contato com um carro do time italiano havia sido em 1995, jamais deixaria o cargo. Voltaria oficialmente à F-1 somente dez anos depois, em 2009, para substituir em duas etapas ao brasileiro Felipe Massa, que havia sofrido um grave acidente no treino de classificação para o GP da Hungria do mesmo ano.
Andando em média 2 segundos mais lento que Kimi Räikkönen, virou chacota entre pilotos e torcedores e viu seu nome se transformar em algo do tipo Luca "How Bad You Are", graças ao fato de nas duas oportunidades, Valência e Bélgica, ter largado na última posição do grid e ter chegado, respectivamente, em 17º e 14º lugares. Incluindo, ainda, o adendo de que o vencedor da etapa belga foi justamente seu companheiro de equipe, Räikkönen.

Toda essa história representou ao menos um recorde para Luca: Com 58 participações, o italiano é o piloto que em mais provas esteve sem jamais marcar um mísero ponto na carreira.
Claro que há também alguns outros números e fatos impressionantes, embora não oficiais: Além dos 11 anos de Ferrari, Badoer completou mais de 130 mil km em testes e foi uma das peças fundamentais no desenvolvimento de uma sequência de carros quase imbatíveis criados pela equipe, entre 2000 e 2004.
Ironias à parte, apesar de o italiano não ser lá grande coisa como piloto, sua dedicação, lealdade e prestatividade à escuderia de Maranello são dignas de elogios. Certamente sua carreira não foi das mais fáceis. Sempre correndo por escuderias miseráveis, passou mais de 10 anos ajudando a desenvolver carros que jamais pilotaria oficialmente - na maioria das vezes solitário, nas pistas de Fiorano e Maranello.
E, por uma grande sacanagem do destino, quando finalmente teve a chance de guiar em uma corrida um carro da Ferrari, em 2009, além de o F60 ser uma rara porcaria produzida pela escuderia ao longo da década, a temporada foi justamente a primeira na qual os testes ao longo do campeonato foram proibidos, e Luca não teve sequer tempo hábil para se familiarizar com o modelo.
Faltou competência e sorte, mas jamais faltou dedicação. Este sim, pode ser considerado um grande e leal funcionário da equipe italiana.
Boa sorte, Luca.
>> Foto: César Ramos testa Ferrari

Guarulhos | ... e lá se vai o maior piloto de testes de todos os tempos.
Luca Badoer, 39 anos - 17 deles dedicados à F-1 -, anunciou nesta sexta-feira que encerrará suas atividades como piloto de testes da Ferrari, onde excerceu a função durante 11 longos anos.
Espécie de onipresença na equipe de Maranello ao longo de mais de uma década, o italiano estreou na categoria em 1993, pela modesta Scuderia Italia. Sua falta de habilidade, aliada à fraca performance da equipe, causou sua desistência em oito das 14 provas que disputou no ano - em duas delas, não conseguiu se classificar para o grid. Época de pré-classificação... outros tempos. Apesar disso, foi justamente neste ano que Luca conseguiu seu melhor resultado na carreira, o 7º lugar no GP de San Marino.

Voltou após um intervalo de um ano, em 1995, pela Minardi. O resultado foi um pouco menos pior: abandonou apenas sete das 15 etapas das quais participou. No Canadá e na Hungria, conseguiu chegar em 8º lugar, até então seu melhor resultado na carreira.
Em 1996, correu pela ítalo-brasileira Forti Corse. Em dez participações, conseguiu a dupla proeza de completar apenas duas provas e não conseguir se classificar para nada menos que quatro.
Teve nova chance em 1999, novamente pela Minardi. Foram 15 corridas e impressionantes 9 abandonos, além da tragicômica cena protagonizada no caótico GP da Europa, quando vinha na 5ª posição e se preparava para marcar os primeiros pontos de sua carreira, quando seu carro acusou pane seca. Badoer ajoelhou-se e chorou copiosamente apoiando-se no cockpit do M195 (ver vídeo no fim do post).

Veio então a oportunidade como test-driver da Ferrari. Badoer, cujo primeiro contato com um carro do time italiano havia sido em 1995, jamais deixaria o cargo. Voltaria oficialmente à F-1 somente dez anos depois, em 2009, para substituir em duas etapas ao brasileiro Felipe Massa, que havia sofrido um grave acidente no treino de classificação para o GP da Hungria do mesmo ano.
Andando em média 2 segundos mais lento que Kimi Räikkönen, virou chacota entre pilotos e torcedores e viu seu nome se transformar em algo do tipo Luca "How Bad You Are", graças ao fato de nas duas oportunidades, Valência e Bélgica, ter largado na última posição do grid e ter chegado, respectivamente, em 17º e 14º lugares. Incluindo, ainda, o adendo de que o vencedor da etapa belga foi justamente seu companheiro de equipe, Räikkönen.

Toda essa história representou ao menos um recorde para Luca: Com 58 participações, o italiano é o piloto que em mais provas esteve sem jamais marcar um mísero ponto na carreira.
Claro que há também alguns outros números e fatos impressionantes, embora não oficiais: Além dos 11 anos de Ferrari, Badoer completou mais de 130 mil km em testes e foi uma das peças fundamentais no desenvolvimento de uma sequência de carros quase imbatíveis criados pela equipe, entre 2000 e 2004.
Ironias à parte, apesar de o italiano não ser lá grande coisa como piloto, sua dedicação, lealdade e prestatividade à escuderia de Maranello são dignas de elogios. Certamente sua carreira não foi das mais fáceis. Sempre correndo por escuderias miseráveis, passou mais de 10 anos ajudando a desenvolver carros que jamais pilotaria oficialmente - na maioria das vezes solitário, nas pistas de Fiorano e Maranello.
E, por uma grande sacanagem do destino, quando finalmente teve a chance de guiar em uma corrida um carro da Ferrari, em 2009, além de o F60 ser uma rara porcaria produzida pela escuderia ao longo da década, a temporada foi justamente a primeira na qual os testes ao longo do campeonato foram proibidos, e Luca não teve sequer tempo hábil para se familiarizar com o modelo.
Faltou competência e sorte, mas jamais faltou dedicação. Este sim, pode ser considerado um grande e leal funcionário da equipe italiana.
Boa sorte, Luca.
Pobre Luca, me deu até pena o vídeo. E agora, o que ele fará?
ResponderExcluirNão diria adeus, ele não morreu... Mas acho que vai tarde. Este sim o legítimo herdeiro de Chris Amon, no azar...
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