Guarulhos | Como já é do conhecimento de todos, a etapa de abertura do Mundial de 2011 da F-1, em Sakhir, no Bahrein, foi definitivamente cancelada em função da iminente guerra civil que se instalou no país, cuja população quer pôr fim ao regime totalitário da família Al-Khalifa. Apesar da falta de informações concretas vindas do país, especula-se que mais de 200 pessoas já tenham perdido suas vidas neste conflito.
Como se vê, é um conflito político sério em um país que, graças à ambição de Bernie Ecclestone, está diretamente ligado à F-1 há sete anos. O Bahrein recebe testes e corridas desde que Michael Schumacher ainda era o rei inatingível da categoria. Nada que constitua uma tradição, mas sim, há um vínculo forte e direto entre a nação árabe e a principal categoria do automobilismo mundial.
E qual foi a postura de Ecclestone, presidente da FOM, e de Jean Todt, presidente da FIA? Rigorosamente nenhuma.
Declarações "de lado", respostas esquivadas, posicionamento zero e um cancelamento anunciado e definido pela organização do circuito e pelo governo local - apenas consentido pelas autoridades da F-1.

É lamentável, e digo isto não pela importância política de figuras como Ecclestone e Todt, que na verdade, é quase nula. No aspecto humano, que no fim das contas é o que importa, os dois chefões da categoria olharam para seus próprios umbigos e ignoraram por completo a gravidade do que acontece em um país que não diz respeito apenas ao povo barenita e às manchetes sangrentas dos jornais ocidentais, mas também ao universo que a F-1 julga ser inatingível: o dela própria.
Partindo agora para uma outra ótica, a esportiva, a decisão conjunta da FIA e da FOM em cancelar o GP do Bahrein, sob possibilidade de um adiamento para o fim da temporada, e de simplesmente adiar a abertura do Mundial para o dia 27 de Março, na Austrália, não foi das mais felizes, a meu ver.
Eu, você e a maioria dos outros fãs da categoria que tive a oportunidade de ler e ouvir, estavam extasiados com a possibilidade de uma etapa substituta da prova barenita, quem sabe em algum circuito alternativo e que não faça parte do calendário atual, como Portimão, em Portugal, Brno, na República Tcheca, ou, nessa altura, até Magny-Cours, na França. A data de abertura seria mantida, pilotos e equipes enfrentariam condições ainda imprevisíveis e desconhecidas para a maioria dos competidores que formam o grid atual e o campeonato poderia começar de forma mais agitada do que o normal, gerando ainda mais ansiedade no que faz esta máquina toda girar: o público e a imprensa.
Mas os donos da F-1, infelizmente, são egoístas demais para se preocuparem com o que o público quer ou com o que a imprensa vai veicular.
Ao menos, o Mundial de 2011 terá uma abertura tradicional: na Austrália, país que na maior parte dos últimos 15 anos foi palco do início do campeonato.
Dia 27 de Março, em Melbourne, na pista urbana de Albert Park. A ansiedade precisará ser contida por alguns dias a mais.

Desculpe ter colocado moderação no blog, mas a situação tava meio chata. Seus comentários vão ser sempre liberados. Desculpe.
ResponderExcluirQue isso, cara! Fica tranquilo! Aqui tb é moderado, tem uma galera sem noção, mesmo...
ResponderExcluirAbraço!