Loading...

Fevereiro 17, 2011

GP do Bahrein sob risco

Leia também:
>> A nova última chance de Heidfeld


Guarulhos | Política e esporte podem se misturar de várias formas diferentes. Em muitas oportunidades, esportistas usaram o poder de sua fama ou de suas vitórias para defender bandeiras e mudanças políticas. Em tantas outras, a violência de manifestos políticos suspendeu competições importantes como Jogos Olímpicos e Copas do Mundo. A F-1, ao que parece, se aproxima de algo semelhante logo às vésperas da abertura da temporada de 2011.

A história começa em um palco nada comum ao automobilismo: o Egito. A população do maior país do Oriente Médio saiu às ruas para derrubar o então presidente Hosni Mubarak, há 30 anos no poder. Mubarak resistiu até onde pôde, mas depois de dias de violência e centenas de mortes, o político cedeu e renunciou ao cargo, permitindo aos egípcios, enfim, a construção de uma nação democrática e distante das raias da ditadura sob a qual viveram por três décadas.

A principal questão, no entanto, é que praticamente todos os países da região são dominados por ditaduras longas e sangrentas. Inspirados no sucesso do povo egípcio, os povos de outros países resolveram também protestar contra seus ditadores, que se perpetuaram no poder. É o caso, entre outras nações, de Argélia, Sudão e... Bahrein, palco da etapa de abertura do campeonato de 2011 da F-1.


Nesta quinta-feira, o governo local lançou tanques de guerra às ruas para impedir o avanço das manifestações contra o governo de Khalifa ibn Salman Al Khalifa, primeiro-ministro barenita. Na última noite, os protestos renderam dois mortos e mais de 50 feridos. Como consequência, a segunda prova da rodada dupla da GP2 asiática no circuito de Sakhir foi cancelada.

Luiz Razia, que disputa a competição, deu uma ideia do que está acontecendo no Bahrein:

"Estava tudo bem até chegarmos, mas as coisas têm piorado a cada dia. Os protestos estão crescendo e a polícia, juntamente com o exército, decidiu fazer alguma coisa, então as ruas estão bloqueadas. É muita policia para todo lado; é um pouco assustador ver tanques de guerras nas ruas"

Faltam exatos 21 dias para os primeiros treinos livres no Bahrein. É tempo suficiente para que o impasse seja solucionado. No entanto, equipes e pilotos devem chegar ao país em pouco mais de 15 dias. O prazo é, de fato, curto.

Jean Todt, presidente da FIA, adota o discurso da cautela e prefere não criar alarde em torno da situação, mas ao que tudo indica, o GP do Bahrein, em um primeiro momento, deve ser ao menos adiado. No entanto, como tudo gira em torno de dinheiros e contratos, a categoria está diante de uma situação mais complexa do que parece.

Os contratos com as televisões já estão fechados. Deve, de fato, haver uma prova no dia 13 de Março. Qualquer prova, independente de onde seja. Mas há, também, o problema de que certamente boa parte dos ingressos para a prova barenita já foram vendidos, o que sugere que não haverá propriamente o cancelamento da etapa, mas sim um adiamento para alguma data a ser agendada futuramente.

A meu ver, se houver a necessidade de uma medida drástica da FIA, o que deve acontecer é uma simples troca de etapas, a ser anunciada o quanto antes: invertem-se as datas dos GPs da Austrália e do Bahrein, com a prova em Melbourne abrindo o campeonato no dia 13, e o GP barenita sendo realizado no dia 27. Parece o mais lógico e mais sensato.

No entanto, caso haja o cancelamento da prova - possibilidade que considero bastante remota -, não creio que Todt vá criar problemas com os contratos assinados com as dezenas de emissoras ao redor do planeta. Devemos, sim, ter corrida no dia 13. Mas, neste caso, apostaria em uma etapa na Europa. Para quem não se lembra, foi assim que o GP da Europa surgiu, nos anos 80: como uma prova substituta. No Velho Continente, há à disposição da F-1 mais de uma dezena de circuitos já prontos para abrigar uma etapa da categoria, com problemas de logística quase reduzidos a zero.

O meu palpite é o da simples troca das datas entre os GPs do Bahrein e da Austrália. Resta saber se haverá, de fato, a necessidade de uma decisão tão radical assim por parte da FIA.

Circuito do Algarve, em Portugal: um dos autódromos prontos para receber a F-1

1 comentários:

  1. Pois é... As coisas ficaram escuras em grande parte dos países árabes.
    Nestas horas eu sempre me lembro de Street Fighting Man, dos Stones.

    ResponderExcluir