Guarulhos | Continuando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, o BRF1 recorda hoje a temporada de 2004, que marcou o heptacampeonato mundial de Michael Schumacher.
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2004: Massacre vermelho
O campeonato de 2002 parecia ter sido o limite. O banho dado pela Ferrari, que fez o que quis durante todo o ano e anulou qualquer possibilidade de um mínimo de competição durante a temporada, parecia impossível de ser repetido.
Parecia. Porque em 2004, Michael Schumacher, ao lado da escuderia italiana, voltou a fazer história. Em um dos maiores massacres de todos os tempos, o alemão eliminou a "história" do campeonato daquele ano que, salvo uma ou outra surpresa, foi extremamente previsível.
Para começar, nas cinco primeiras provas do ano, cinco vitórias do alemão, que já abria 18 pontos de vantagem para seu companheiro de equipe, Rubens Barrichello, e 26 para seu rival mais próximo, o inglês Jenson Button, da surpreendente BAR, que fez um carro "curto" e extremamente veloz, capaz de permitir ao inglês lutar frequentemente por pódios - foram dez durante todo o ano - e até cravar sua primeira pole-position, em Ímola, na Itália.
Veio, então, uma corrida de exceção. Uma ótima corrida, diga-se: o GP de Mônaco, sexta etapa de 2004. Jarno Trulli esteve literalmente imbatível durante todo o fim de semana, o que já dá uma enorme dimensão do quão atípico foi este GP. Pole e vitória, sem maiores sustos, com uma Renault que já ameaçava voltar a ser time grande. Já Schumacher se achou com Juan Pablo Montoya na saída do túnel, em um acidente esquisitíssmo que causou seu primeiro abandono na temporada e o fim dos 100% de aproveitamento.

Daí para a frente, o massacre recomeçou. De forma inacreditável. Nas sete corridas seguintes, sete vitórias do alemão. Para se ter uma ideia, Michael ultrapassou a barreira dos 100 pontos já na 11ª etapa, na Inglaterra, e conquistou o inimaginável heptacampeonato com cinco (!) corridas de antecipação, na Hungria.
E os recordes, mais uma vez, vieram: os 148 pontos marcados em uma única temporada eram mais do que qualquer outro ser humano já havia feito em um mesmo ano na F-1; as 13 vitórias (em um campeonato com 18 etapas!), ídem. Os 15 triunfos da Ferrari, por sua vez, igualavam o feito histórico da McLaren de 1988, que também venceu 15, mas em um total de 16 provas, o que ainda faz do MP4/4 o melhor carro de todos os tempos, já que a F2004 levou 15 em 18 - tendo, por consequência, um aproveitamento menor.
Com sete títulos, 82 vitórias, mais de mil pontos marcados, 65 voltas mais rápidas e mais pontos e vitórias marcados em uma mesma temporada, Schumacher já era o maior piloto de todos os tempos, uma lenda viva, dono de todos os recordes, exceto um: o de pole positions, que ainda pertencia a Ayrton Senna. Michael tinha 63 poles, contra 65 do brasileiro. Era só uma questão de tempo. Mas este tempo demoraria um pouco mais a chegar.

Ranking de Vitórias:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 13
2º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 2
3º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 1
4º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 1
5º. Jarno Trulli (ITA/Renault) - 1
Ranking de Poles:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 8
2º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 4
3º. Jarno Trulli (ITA/Renault) - 2
4º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 1
5º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 1
6º. Jenson Button (GBR/BAR-Honda) - 1
7º. Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW) - 1
Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 10
2º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 4
3º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 2
4º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 2
Acontecimentos:
- Despedida de David Coulthard da McLaren, após oito temporadas na equipe inglesa.
- Última vitória da Williams na década, com Juan Pablo Montoya, no GP do Brasil.
- Último título mundial de Michael Schumacher*.
- Aposentadoria de Olivier Panis, vencedor do GP de Mônaco de 1996.
- Estreia de Jarno Trulli na Toyota, no GP do Japão.
- Melhor temporada de um asiático na F-1, com Takuma Sato, dono de 34 pontos e um pódio, no GP dos EUA.
- Última temporada da equipe Jaguar, que se despediu da F-1 após cinco temporadas.
GP de Mônaco - Alguns lugares por onde a F-1 passa parecem ter uma mágica especial para transformar tudo o que é previsível em algo completamente imprevisível e inesperado. Interlagos, por exemplo, é assim. Nürburgring, também. Mas o exemplo maior disso, sem dúvidas, é Mônaco. Quando os deuses do automobilismo estão inspirados, tudo acontece no Principado.
Assim foi em 2004. A começar por um Jarno Trulli em um fim de semana praticamente perfeito, com uma fantástica pole position e uma vitória que em nenhum momento foi claramente ameaçada - mesmo quando Michael Schumacher assumiu a liderança antes de realizar seu primeiro pit-stop.
No entanto, naquela primeira metade dos anos 00, o alemão era protagonista até quando não tinha condições de vencer. E para completar, naquele estranho domingo, 23 de maio, a saída do túnel monegasco estava "encantada". Foi lá que Ralf Schumacher tirou o pé do acelerador de uma vez só, surpreendendo Fernando Alonso e provocando uma forte batida do espanhol no muro interno da pista.
O acidente obrigou a entrada do safety-car, para que os detritos do carro de Alonso fossem recolhidos da pista. Tudo caminhava dentro da normalidade, até que as câmeras mostraram Michael Schumacher com a dianteira de sua Ferrari completamente destruída, se arrastando pela pista. O alemão cometeu um erro grotesco e, a exemplo do que fizera seu irmão, praticamente parou o carro de forma repentina à frente de Juan Pablo Montoya. Sem ter para onde ir, o colombiano tocou a traseira do carro de Michael, que rodou e bateu de frente no muro, ainda dentro do túnel.
Antes do GP de Mônaco, Schumacher havia vencido cinco provas. Depois deste acidente, venceu mais sete, em sequência.
Assim foi em 2004. A começar por um Jarno Trulli em um fim de semana praticamente perfeito, com uma fantástica pole position e uma vitória que em nenhum momento foi claramente ameaçada - mesmo quando Michael Schumacher assumiu a liderança antes de realizar seu primeiro pit-stop.
No entanto, naquela primeira metade dos anos 00, o alemão era protagonista até quando não tinha condições de vencer. E para completar, naquele estranho domingo, 23 de maio, a saída do túnel monegasco estava "encantada". Foi lá que Ralf Schumacher tirou o pé do acelerador de uma vez só, surpreendendo Fernando Alonso e provocando uma forte batida do espanhol no muro interno da pista.
O acidente obrigou a entrada do safety-car, para que os detritos do carro de Alonso fossem recolhidos da pista. Tudo caminhava dentro da normalidade, até que as câmeras mostraram Michael Schumacher com a dianteira de sua Ferrari completamente destruída, se arrastando pela pista. O alemão cometeu um erro grotesco e, a exemplo do que fizera seu irmão, praticamente parou o carro de forma repentina à frente de Juan Pablo Montoya. Sem ter para onde ir, o colombiano tocou a traseira do carro de Michael, que rodou e bateu de frente no muro, ainda dentro do túnel.
Antes do GP de Mônaco, Schumacher havia vencido cinco provas. Depois deste acidente, venceu mais sete, em sequência.
GP dos Estados Unidos - O acidente assustou, apesar de ter sido protagonizado por um conhecido barbeiro como Ralf Schumacher. O alemão da Williams foi a segunda vítima da falha de configuração dos pneus Michelin para a pista de Indianapolis, quando ainda sequer se cogitava tal problema.
A primeira vítima havia sido Fernando Alonso: um estouro no pneu traseiro esquerdo de sua Renault em pleno fim da reta principal fez com que o espanhol perdesse o controle do carro e batesse sozinho no muro, sem graves consequências, apenas abandonando a prova.
Com o alemão da Williams, foi diferente. Ralf também sofreu um estouro em um dos pneus traseiros no ponto de maior aceleração plena da pista, e um dos mais velozes de toda a temporada. O piloto virou passageiro a mais de 300 km/h. Por sorte, seu carro rodou, o que pode ter salvo sua vida, já que uma batida de frente no muro, naquele ponto da pista e naquela velocidade, poderia ter custado a vida do alemão.
O carro surgiu praticamente destruído nas imagens da TV. O irmão mais novo de Schumacher ficou vários minutos inerte em seu carro, sem se movimentar, aparentemente inconsciente e com a viseira do capacete levantada em função do impacto traseiro. O impacto na coluna cervical do piloto o tirou das cinco etapas seguintes do campeonato.
No ano seguinte, o próprio Ralf sofreria um acidente muito parecido nos treinos livres, e o polêmico problema com os pneus Michelin renderiam um dos GPs mais inusitados de toda a história da F-1.
A primeira vítima havia sido Fernando Alonso: um estouro no pneu traseiro esquerdo de sua Renault em pleno fim da reta principal fez com que o espanhol perdesse o controle do carro e batesse sozinho no muro, sem graves consequências, apenas abandonando a prova.
Com o alemão da Williams, foi diferente. Ralf também sofreu um estouro em um dos pneus traseiros no ponto de maior aceleração plena da pista, e um dos mais velozes de toda a temporada. O piloto virou passageiro a mais de 300 km/h. Por sorte, seu carro rodou, o que pode ter salvo sua vida, já que uma batida de frente no muro, naquele ponto da pista e naquela velocidade, poderia ter custado a vida do alemão.
O carro surgiu praticamente destruído nas imagens da TV. O irmão mais novo de Schumacher ficou vários minutos inerte em seu carro, sem se movimentar, aparentemente inconsciente e com a viseira do capacete levantada em função do impacto traseiro. O impacto na coluna cervical do piloto o tirou das cinco etapas seguintes do campeonato.
No ano seguinte, o próprio Ralf sofreria um acidente muito parecido nos treinos livres, e o polêmico problema com os pneus Michelin renderiam um dos GPs mais inusitados de toda a história da F-1.
































