26.12.09

BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (6)

Guarulhos | Continuando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, o BRF1 recorda hoje a temporada de 2004, que marcou o heptacampeonato mundial de Michael Schumacher.

>> Confira o resumo da temporada de 2000
>> Confira o resumo da temporada de 2001
>> Confira o resumo da temporada de 2002
>> Confira o resumo da temporada de 2003



2004: Massacre vermelho

O campeonato de 2002 parecia ter sido o limite. O banho dado pela Ferrari, que fez o que quis durante todo o ano e anulou qualquer possibilidade de um mínimo de competição durante a temporada, parecia impossível de ser repetido.

Parecia. Porque em 2004, Michael Schumacher, ao lado da escuderia italiana, voltou a fazer história. Em um dos maiores massacres de todos os tempos, o alemão eliminou a "história" do campeonato daquele ano que, salvo uma ou outra surpresa, foi extremamente previsível.

Para começar, nas cinco primeiras provas do ano, cinco vitórias do alemão, que já abria 18 pontos de vantagem para seu companheiro de equipe, Rubens Barrichello, e 26 para seu rival mais próximo, o inglês Jenson Button, da surpreendente BAR, que fez um carro "curto" e extremamente veloz, capaz de permitir ao inglês lutar frequentemente por pódios - foram dez durante todo o ano - e até cravar sua primeira pole-position, em Ímola, na Itália.

Veio, então, uma corrida de exceção. Uma ótima corrida, diga-se: o GP de Mônaco, sexta etapa de 2004. Jarno Trulli esteve literalmente imbatível durante todo o fim de semana, o que já dá uma enorme dimensão do quão atípico foi este GP. Pole e vitória, sem maiores sustos, com uma Renault que já ameaçava voltar a ser time grande. Já Schumacher se achou com Juan Pablo Montoya na saída do túnel, em um acidente esquisitíssmo que causou seu primeiro abandono na temporada e o fim dos 100% de aproveitamento.


Daí para a frente, o massacre recomeçou. De forma inacreditável. Nas sete corridas seguintes, sete vitórias do alemão. Para se ter uma ideia, Michael ultrapassou a barreira dos 100 pontos já na 11ª etapa, na Inglaterra, e conquistou o inimaginável heptacampeonato com cinco (!) corridas de antecipação, na Hungria.

E os recordes, mais uma vez, vieram: os 148 pontos marcados em uma única temporada eram mais do que qualquer outro ser humano já havia feito em um mesmo ano na F-1; as 13 vitórias (em um campeonato com 18 etapas!), ídem. Os 15 triunfos da Ferrari, por sua vez, igualavam o feito histórico da McLaren de 1988, que também venceu 15, mas em um total de 16 provas, o que ainda faz do MP4/4 o melhor carro de todos os tempos, já que a F2004 levou 15 em 18 - tendo, por consequência, um aproveitamento menor.

Com sete títulos, 82 vitórias, mais de mil pontos marcados, 65 voltas mais rápidas e mais pontos e vitórias marcados em uma mesma temporada, Schumacher já era o maior piloto de todos os tempos, uma lenda viva, dono de todos os recordes, exceto um: o de pole positions, que ainda pertencia a Ayrton Senna. Michael tinha 63 poles, contra 65 do brasileiro. Era só uma questão de tempo. Mas este tempo demoraria um pouco mais a chegar.


Ranking de Vitórias:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 13
2º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 2
3º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 1
4º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 1
5º. Jarno Trulli (ITA/Renault) - 1

Ranking de Poles:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 8
2º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 4
3º. Jarno Trulli (ITA/Renault) - 2
4º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 1
5º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 1
6º. Jenson Button (GBR/BAR-Honda) - 1
7º. Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW) - 1

Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 10
2º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 4
3º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 2
4º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 2

Acontecimentos:
- Despedida de David Coulthard da McLaren, após oito temporadas na equipe inglesa.
- Última vitória da Williams na década, com Juan Pablo Montoya, no GP do Brasil.
- Último título mundial de Michael Schumacher*.
- Aposentadoria de Olivier Panis, vencedor do GP de Mônaco de 1996.
- Estreia de Jarno Trulli na Toyota, no GP do Japão.
- Melhor temporada de um asiático na F-1, com Takuma Sato, dono de 34 pontos e um pódio, no GP dos EUA.
- Última temporada da equipe Jaguar, que se despediu da F-1 após cinco temporadas.

GP de Mônaco - Alguns lugares por onde a F-1 passa parecem ter uma mágica especial para transformar tudo o que é previsível em algo completamente imprevisível e inesperado. Interlagos, por exemplo, é assim. Nürburgring, também. Mas o exemplo maior disso, sem dúvidas, é Mônaco. Quando os deuses do automobilismo estão inspirados, tudo acontece no Principado.

Assim foi em 2004. A começar por um Jarno Trulli em um fim de semana praticamente perfeito, com uma fantástica pole position e uma vitória que em nenhum momento foi claramente ameaçada - mesmo quando Michael Schumacher assumiu a liderança antes de realizar seu primeiro pit-stop.

No entanto, naquela primeira metade dos anos 00, o alemão era protagonista até quando não tinha condições de vencer. E para completar, naquele estranho domingo, 23 de maio, a saída do túnel monegasco estava "encantada". Foi lá que Ralf Schumacher tirou o pé do acelerador de uma vez só, surpreendendo Fernando Alonso e provocando uma forte batida do espanhol no muro interno da pista.

O acidente obrigou a entrada do safety-car, para que os detritos do carro de Alonso fossem recolhidos da pista. Tudo caminhava dentro da normalidade, até que as câmeras mostraram Michael Schumacher com a dianteira de sua Ferrari completamente destruída, se arrastando pela pista. O alemão cometeu um erro grotesco e, a exemplo do que fizera seu irmão, praticamente parou o carro de forma repentina à frente de Juan Pablo Montoya. Sem ter para onde ir, o colombiano tocou a traseira do carro de Michael, que rodou e bateu de frente no muro, ainda dentro do túnel.

Antes do GP de Mônaco, Schumacher havia vencido cinco provas. Depois deste acidente, venceu mais sete, em sequência.




GP dos Estados Unidos - O acidente assustou, apesar de ter sido protagonizado por um conhecido barbeiro como Ralf Schumacher. O alemão da Williams foi a segunda vítima da falha de configuração dos pneus Michelin para a pista de Indianapolis, quando ainda sequer se cogitava tal problema.

A primeira vítima havia sido Fernando Alonso: um estouro no pneu traseiro esquerdo de sua Renault em pleno fim da reta principal fez com que o espanhol perdesse o controle do carro e batesse sozinho no muro, sem graves consequências, apenas abandonando a prova.

Com o alemão da Williams, foi diferente. Ralf também sofreu um estouro em um dos pneus traseiros no ponto de maior aceleração plena da pista, e um dos mais velozes de toda a temporada. O piloto virou passageiro a mais de 300 km/h. Por sorte, seu carro rodou, o que pode ter salvo sua vida, já que uma batida de frente no muro, naquele ponto da pista e naquela velocidade, poderia ter custado a vida do alemão.

O carro surgiu praticamente destruído nas imagens da TV. O irmão mais novo de Schumacher ficou vários minutos inerte em seu carro, sem se movimentar, aparentemente inconsciente e com a viseira do capacete levantada em função do impacto traseiro. O impacto na coluna cervical do piloto o tirou das cinco etapas seguintes do campeonato.

No ano seguinte, o próprio Ralf sofreria um acidente muito parecido nos treinos livres, e o polêmico problema com os pneus Michelin renderiam um dos GPs mais inusitados de toda a história da F-1.

24.12.09

BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (5)

Guarulhos | Continuando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, o BRF1 recorda hoje a temporada de 2003, que marcou o hexacampeonato mundial de Michael Schumacher.

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2003: Campeão contra a FIA

A F-1 estava chata. A audiência despencava em todos os cantos do planeta, até na Alemanha, terra de Michael Schumacher, único responsável pelo enorme porre no qual havia se transformado a categoria. Afinal, havia levado os três últimos títulos mundiais de forma arrasadora, praticamente sem disputa, tamanha a superioridade dele próprio e da Ferrari.

Bernie Ecclestone e Max Mosley, preocupados unicamente com o prejuízo financeiro que a queda brusca de audiência trazia para a categoria e para seus pobres e humildes bolsos britânicos, decidiram propor um novo formato de pontuação para equilibrar a disputa pelos títulos de Pilotos e Construtores. Assim, desapareceu o tradicional sistema no qual os seis primeiros colocados pontuavam na ordem 10-6-4-3-2-1 e entrou em vigor o regulamento que premiava os oito primeiros colocados, na ordem 10-8-6-5-4-3-2-1. Isso tudo, claro, em meio a regras esdrúxulas como a proibição da troca de pneus, por exemplo - algo que claramente favoreceu a Michelin e prejudicou a Bridgestone, fornecedora, entre outras equipes, da Ferrari.

Supervalorizar a segunda posição era uma tentativa clara de diminuir a importância das frequentes vitórias de Schumacher e forjar um pouco de emoção no campeonato. No entanto, este foi apenas um dos fatores que transformaram a temporada de 2003 em uma das mais divertidas e movimentadas da década, apesar da clara ausência de rivalidade.

Tudo porque a Ferrari, ao contrário de 2001 e 2002, não fez um supercarro imbatível para 2003, a Williams-BMW teve uma reação quase épica a partir do GP de Mônaco, a McLaren voltou a lutar pelas primeiras posições e até mesmo a Renault, que desde sua volta à F-1 era apenas uma equipe mediana, apareceu na luta por poles e vitórias e apresentou ao mundo um certo Fernando Alonso, a quem ninguém dava muita bola até sua surpreendente pole-position no GP da Malásia, segunda etapa da temporada.

Todos estes ingredientes juntos transformaram o campeonato de 2003 em uma espécie de "um contra todos", com oito vencedores diferentes - algo que não acontecia dese 1985 - e uma verdadeira luta de Juan Pablo Montoya, Ralf Schumacher, Kimi Räikkönen e até Rubens Barrichello contra o pentacampeão Schumacher.

David Coulthard foi o primeiro líder da tabela de pontos, após sua vitória na Austrália. Na etapa seguinte, na Malásia, foi a vez de Räikkönen conquistar sua primeira vitória e pular para a liderança, em um ano que começava 100% prateado e dava indícios de uma nova hegemonia da McLaren. Na terceira etapa, o caótico GP do Brasil deu a Giancarlo Fisichella sua primeira vitória e o alçou à quarta posição do Mundial. Nesta altura, Kimi era o líder disparado, 18 pontos à frente de Schumacher.

Em San Marino, quarta etapa de 2003, o alemão finalmente venceu e "acordou" para a disputa do título. No entanto, a nova regra de pontuação começou a fazer evidente diferença. Räikkönen seguia na liderança, já que após dois segundos lugares consecutivos, havia pulado para 32 pontos, quase o dobro do piloto da Ferrari.


Na Espanha, Michael venceu a segunda seguida e Kimi abandonou. A diferença entre ambos caiu para apenas quatro pontos, e diminuiria para dois no GP da Áustria, vencido pelo alemão, com o finlandês mais uma vez em segundo lugar. A disputa parecia restrita apenas ao veterano tedesco e ao promissor nórdico.

No entanto, na etapa seguinte, em Mônaco, a Williams acordou e passou a mandar no campeonato. A vitória ficou com Juan Pablo Montoya, que iniciaria ali uma recuperação fulminante para se intrometer na disputa pelo título.

Ainda houve tempo para, no Canadá, Schumacher vencer e assumir a liderança do campeonato, finalmente superando o regular Räikkönen na classificação. No GP da Europa, nova vitória da Williams, desta vez de Ralf Schumacher, com direito a dobradinha. A equipe de Grove faria mais uma dobradinha na etapa seguinte, na França, novamente com o irmão de Michael na primeira posição.

Na Inglaterra, o show foi de Barrichello. Em uma de suas melhores atuações em todos os tempos, o brasileiro fez Räikkönen, Ralf e Montoya comerem poeira e, na pista, conquistou uma vitória arrasadora e deu indícios de que poderia se intrometer na disputa do título, mas ficou apenas na ameaça.

Na Alemanha, o colombiano da Williams não apenas venceu como contou com um raro abandono de Räikkönen e com um modestíssimo sétimo lugar de Schumacher para assumir a vice-liderança do campeonato e ficar a apenas seis pontos do alemão.


Mas o ponto alto da temporada viria na etapa seguinte, na Hungria, 13ª prova do ano. Além de marcar a primeira vitória de Alonso na categoria, o circuito de Budapeste proporcionou uma combinação de resultados que fez com que Schumacher ficasse com 72 pontos, contra 71 de Montoya e 70 de Räikkönen. A apenas três provas do fim da temporada, o campeonato estava totalmente em aberto.

No entanto, mais uma vez, Schumi iniciou sua arrancada para o título em Monza, na Itália. Após um duelo fantástico com o colombiano da Williams na primeira volta, Michael se manteve na liderança e levou a vitória, com Juan Pablo em segundo lugar e Kimi apenas em quarto. O campeonato seguia em aberto, mas já começava a cair nas mãos do alemão.

Na penúltima prova de 2003, nos Estados Unidos, a chuva marcou presença e embaralhou completamente a corrida. Por alguns instantes, Montoya teve a vitória e a liderança do campeonato nas mãos, com Schumacher fora da zona de pontuação. No entanto, uma forte chuva despencou ainda na primeira metade da prova e o sul-americano se viu obrigado a completar praticamente duas voltas inteiras com pneus para pista seca debaixo de um verdadeiro temporal. Perdendo posições e cometendo uma série de trapalhadas, Juan Pablo recebeu bandeira preta e foi eliminado da disputa pelo título.

A vitória, mais uma vez, ficou nas mãos de Schumacher, com Räikkönen, mais uma vez, em segundo lugar. O piloto da Ferrari era o virtual campeão. Com dez pontos em disputa, sua vantagem para Kimi era de 9 pontos. Só um milagre tiraria o sexto título das mãos do alemão.

E o milagre quase veio. Em Suzuka, no Japão, Michael largou apenas em 14º, com Räikkönen na oitava posição. Após um grid completamente embaralhado pela chuva que havia caído no treino de classificação, a corrida obviamente recolocou as coisas em sua devida ordem e, apesar de Barrichello, pole position, seguir na liderança, em pouco tempo o finlandês da McLaren já era o segundo colocado, com Schumacher lutando para se manter em oitavo lugar, posição limite para lhe assegurar o título.

No entanto, após o primeiro pit-stop de Rubens, Räikkönen assumiu a liderança e Michael, após um toque com Takuma Sato, da BAR, precisou de uma parada extra para trocar o aerofólio dianteiro e caiu para o décimo lugar. Neste momento, o finlandês era o campeão.

Mas logo as coisas voltaram à normalidade e, com Barrichello vencendo a prova e Kimi em segundo lugar, Schumi conquistou seu sexto título mundial ao cruzar a linha de chegada exatamente em oitavo. Com 93 pontos, contra 91 de Räikkönen, o alemão manteve sua hegemonia e livrou a F-1 de um erro histórico, o de premiar com um título mundial um piloto que havia conquistado apenas uma vitória ao longo da temporada - Michael havia vencido seis vezes, contra inacreditáveis sete segundos lugares do finlandês.

Recordista de títulos, de vitórias, de voltas mais rápidas, de pontos e de corridas lideradas. Schumacher já era o maior piloto da história em 2003. Faltava apenas um recorde: o de pole-positions, que ainda pertencia a Ayrton Senna.


Ranking de Vitórias:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 6
2º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 2
3º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 2
4º. Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW) - 2
5º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 1
7º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 1
6º. David Coulthard (GBR/McLaren-Mercedes) - 1
8º. Giancarlo Fisichella (ITA/Jordan-Ford) - 1

Ranking de Poles:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 5
2º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 3
3º. Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW) - 3
4º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 2
5º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 2
6º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 1

Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 5
2º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 3
3º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 3
4º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 3
5º. Fernando Alonso (ESP/Renault) - 1
6º. Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW) - 1

Acontecimentos:
- Estreia de Fernando Alonso na Renault.
- Estreia de Jenson Button na BAR, equipe onde ficaria até 2009, sob os nomes Honda e Brawn GP.
- Aposentadoria de Heinz-Harald Frentzen, vencedor de três GPs na F-1.
- Primeira vitória de Fernando Alonso, pela Renault, no GP da Hungria.
- Primeira vitória de Kimi Räikkönen, pela McLaren, no GP da Malásia.
- Primeira vitória de Giancarlo Fisichella, pela Jordan, no GP do Brasil.
- Última vitória de David Coulthard na F-1, no GP da Austrália.
- Última vitória da Jordan na F-1.

2003: As imagens inesquecíveis

GP do Brasil - Uma corrida sem largada e sem bandeirada final, onde sete carros bateram na mesma curva, o pódio teve apenas dois pilotos e o vencedor só recebeu o troféu pela vitória duas semanas após sua conquista. Este é um resumo breve do que foi o GP do Brasil de 2003, que ocupa facilmente qualquer lista das cinco corridas mais emocionantes e caóticas de todos os tempos.

A chuva transformou completamente a corrida em Interlagos. Rubens Barrichello tinha, enfim, sua maior chance de vencer diante de sua torcida, já que conquistou a pole position no sábado, mesmo com a velha F2002, e Schumacher, com a F2003-GA, largaria apenas em oitavo.

A sorte parecia sorrir definitivamente a favor do brasileiro quando o alemão rodou e abandonou a prova na Curva do Sol - a mesma curva que tirou da prova Justin Wilson, Jenson Button, Antônio Pizzonia, Jos Verstappen e Juan Pablo Montoya.

Rubens fazia uma prova irretocável e levou a torcida que lotou Interlagos à loucura quando ultrapassou David Coulthard e assumiu a liderança da prova a menos de 20 voltas para o final. Mas a Ferrari errou os cálculos e o brasileiro, com pane seca, abandonou a prova, deixando ele próprio e a torcida presente no autódromo completamente desolados.

O que se seguiu foi um verdadeiro caos. Vários abandonos, o acidente de Mark Webber e a pancada violenta de Fernando Alonso, que foi hospitalizado e não pôde subir ao pódio por sua terceira posição e, por fim, a bandeira vermelha. A Jordan comemorou a vitória de Giancarlo Fisichella, um dos únicos seis sobreviventes da prova. Mas a direção da prova deu a primeira posição, equivocadamente, a Kimi Räikkönen, que subiu ao alto do pódio e recebeu o troféu de vencedor.

Dias depois, a FIA reviu a decisão e, com base em análise de imagens, definiu Fisichella como o dono da vitória. A troca de trofeus só foi realizada em San Marino, duas semanas depois.



GP da Itália - Michael Schumacher, Juan Pablo Montoya e Kimi Räikkönen chegaram a Monza, antepenúltima etapa de 2003, praticamente empatados. O alemão tinha 72 pontos, contra 71 do colombiano e 70 do finlandês. A prova italiana seria decisiva para as pretensões dos três pilotos no campeonato.

No entanto, quem aparecia como principal rival em ascensão, naquele momento, era Montoya. Vindo de duas vitórias e pilotando o melhor carro do grid naquele momento, o sul-americano sempre apresentava bons desempenhos em Monza - tendo, inclusive, conquistado sua primeira vitória na F-1 no mítico autódromo italiano.

A pole ficou com Schumacher, com Alonso em segundo lugar e o colombiano apenas em quarto. No entanto, o piloto da Williams fez uma largada fulminante, superou o espanhol antes da primeira curva e partiu feito um leão para cima do piloto da Ferrari.

Ambos dividiram três ou quatro curvas lado a lado e Montoya chegou a ficar à frente, mas o alemão se impôs, deu um leve "chega pra lá" em seu rival e se manteve na liderança.

A manobra foi decisiva para o campeonato. Se o colombiano assumisse a liderança, fatalmente venceria e pularia, também, para a liderança do campeonato, com apenas duas provas restantes. Ali, naquela primeira volta do GP da Itália, Schumacher garantiu o sexto título mundial.

23.12.09

O retorno da lenda*


Guarulhos | O rapaz da foto acima fez 249 largadas na F-1. Em 249 largadas, ele conseguiu 91 vitórias, 68 pole-positions, 76 voltas mais rápidas, 22 hat-tricks, 154 pódios, liderou 141 corridas, marcou 1291 pontos e conquistou nada menos que 7 títulos mundiais.

É, de longe, o piloto que mais vitórias conseguiu. De longe, de muito longe. É o piloto que mais fez pole-positions. É o piloto que mais vezes marcou a volta mais rápida em uma corrida. É o piloto que mais liderou corridas. É o piloto que tem mais pódios. É o piloto que mais vezes fez o hat-trick. É o único piloto que tem mais de mil pontos na carreira. É o piloto que mais títulos tem na história.

É o maior piloto de toda a história da F-1.

Pode-se questionar se ele foi o melhor de todos os tempos, especialmente no Brasil, terra de Ayrton Senna, alçado à condição de mártir pelos torcedores e tendo seus feitos superlativizados por sua carreira interrompida precocemente no muro da Tamburello.

Pode-se questionar a qualidade dos adversários do alemão - aliás, este é um dos argumentos preferidos daqueles que querem minimizar seus feitos. Mika Häkkinen não é Alain Prost, Damon Hill não é Nigel Mansell, Jacques Villeneuve não é Nelson Piquet. Besteira.

Contra fatos não há argumentos. Os números de Michael Schumacher são daqueles que você não cansa de ver, falar e comentar. Schumacher era tão bom, tão "irritantemente perfeito" em sua condução, na administração de sua carreira e na formação do "dream-team" que a Ferrari teve entre 2000 e 2005 - incluindo, obviamente, Rubens Barrichello no pacote - que tornou a F-1 chata. Muito chata.

Todos nós, blogueiros, telespectadores, jornalistas ou apenas fãs, somos sobreviventes de uma época em que perdíamos horas a mais de sono para ligar a TV no sábado de manhã, sabendo que a pole-position seria dele; para ligar a TV no domingo de manhã, sabendo que a vitória seria dele.


Pelo amor ao esporte, pela necessidade em termos "corridas de verdade", pedíamos a "F-1 de volta". Pedíamos que aquele esporte voltasse a ser o que era antes de Schumacher, como se a F-1 fosse de nossa propriedade. Bernie Ecclestone e Max Mosley também pediam isso. Afinal, se até o fim de 2009 eram os oito primeiros colocados que marcavam pontos, e não mais os seis primeiros, a culpa é de Schumacher. Se um piloto do quilate de Lewis Hamilton muitas vezes nos parece fraco, a culpa é de Schumacher. Se Rubens Barrichello é visto como um perdedor, a maior parte da culpa é de Schumacher.


Pedíamos por sua aposentadoria. Desesperadamente. Ele se aposentou, e a F-1 "voltou". 2007, um campeonato dos sonhos, decisão na última corrida com três pilotos disputando o título. 2008, a maior decisão da história, na-última-curva-da-última-volta-da-última-corrida, frase que já virou jargão - merecidamente, diga-se.

Mas oras. O campeão de 2007, Kimi Räikkonen, é um "sonolento desinteressado". O campeão de 2008, Lewis Hamilton, é "barbeiro", "não é tudo isso". O vice-campeão de 2008, Felipe Massa, é "inconstante". Sebastian Vettel, diamante bruto, "ainda não está pronto". Jenson Button, campeão de 2009, é daqueles que "não convencem". Fernando Alonso é o único que ainda é digno de respeito, tido como o melhor piloto do grid. Porque superou Schumacher de forma emblemática, em Ímola'05. Porque superou Schumacher de forma emblemática no Mundial de 2006. Porque aposentou o alemão.

Esta é a F-1 que nós queríamos "de volta"?

Hoje, a nova equipe Mercedes anunciou o retorno do maior piloto de todos os tempos. Em todos os cantos do planeta, a reação predominante foi de euforia. Risadas incrédulas. Felicidade. Não há como ser apaixonado por F-1 e não ficar feliz com o retorno do heptacampeão às pistas. Certamente, a maioria dos que aplaudiram seu retorno são os mesmos que pediam sua aposentadoria, e estou incluído nisso.

A notícia explodiu de madrugada, via "Bild" e "BBC". Pela manhã, foi confirmada através de um release cujo título veio em letras garrafais: "Michael Schumacher joins Mercedes GP Petronas".

Vale lembrar que a Mercedes, via Brawn GP, é a atual campeã mundial. E tem Ross Brawn, que levou Michael a seus sete títulos na F-1.

Alguém duvida que um sujeito perfeccionista e metódico como ele possa conquistar mais vitórias e títulos?

Eu não.


*Essência do texto originalmente publicada em Agosto de 2009, quando Schumacher anunciou seu retorno à categoria em substituição a Felipe Massa, desistindo posteriormente em função de problemas físicos.

22.12.09

BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (4)

Guarulhos | Continuando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, o BRF1 recorda hoje a temporada de 2002, que marcou o pentacampeonato mundial de Michael Schumacher.

>> Confira o resumo da temporada de 2000
>> Confira o resumo da temporada de 2001


2002: À beira da perfeição

A temporada de 2002 foi uma das mais chatas e previsíveis de todos os tempos. O conjunto formado por Ferrari e Michael Schumacher, que já havia conquistado os títulos dos dois anos anteriores, mais uma vez se mostrou o mais forte do grid. Desta vez, à beira da perfeição.

Se é verdade que as principais equipes do grid não tinham carros verdadeiramente competitivos ou pilotos em condições reais de fazer frente ao fenômeno alemão, também é verdade que Michael vivia uma fase inacreditavelmente brilhante.

Além disso, aquele que poderia ser seu único rival, Rubens Barrichello (por contar exatamente com o mesmo carro), não tinha a precisão e a genialidade do então tetracampeão mundial. Quando vivia seus raros finais de semana de gênio, a Ferrari trabalhava em prol do primeiro piloto da equipe e o impedia de vencer.

Com todo o talento do mundo e com todos os ventos soprando a seu favor, Schumacher não teve nenhum adversário em 2002, literalmente. Tanto que venceu seis das oito primeiras provas e conquistou o histórico pentacampeonato na 11ª prova de um total de 17, em Magny-Cours, na França.



Um absurdo que se reflete em números: campeão com inacreditáveis seis corridas de antecipação, o alemão saiu do território gaulês com 96 pontos contra míseros 34 de Juan Pablo Montoya, então vice-líder.

Com o título de Pilotos garantido e o de Construtores praticamente decidido, a Ferrari resolveu brincar de deixar Barrichello ser o primeiro piloto. Desta forma, o brasileiro conseguiu três vitórias nas seis últimas etapas - Rubens já havia vencido o GP da Europa, em Nürburgring, quando quebrou um jejum de mais de um ano sem vencer.

Das 17 provas de 2002, nada menos de 15 foram vencidas pela equipe italiana. As exceções ficaram por conta de Ralf Schumacher, da Williams, vencedor do GP da Malásia, e David Coulthard, da McLaren, dono do primeiro lugar no quase sempre improvável GP de Mônaco.

Schumacher, agora, era pentacampeão mundial. Ao lado de Juan Manuel Fangio, já era o maior piloto de todos os tempos. Uma lenda viva em ação.


Ranking de Vitórias:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 11
2º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 4
3º. Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW) - 1
4º. David Coulthard (GBR/McLaren-Mercedes) - 1

Ranking de Poles:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 7
2º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 7
3º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 3

Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 7
2º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 5
3º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 3
4º. David Coulthard (GBR/McLaren-Mercedes) - 1
5º. Kimi Räikkönen (FIN/McLaren-Mercedes) - 1

Acontecimentos:
- Estreia de Kimi Räikkönen na McLaren.
- Aposentadoria de Eddie Irvine, vice-campeão de F-1 em 1999.
- Estreia de Felipe Massa, pela equipe Sauber.
- Estreia de Takuma Sato, melhor piloto japonês da história da categoria.
- Estreia de Mark Webber, pela equipe Minardi.
- Estreia da equipe Toyota.
- Despedida da equipe Arrows, após 24 anos na categoria.

2002: As imagens inesquecíveis

GP da Áustria - Um dos momentos mais constrangedores da história da F-1, capaz de contrariar de forma quase unânime a dirigentes, imprensa, torcedores e telespectadores de todo o mundo. Rubens Barrichello vivia um de seus clássicos e raros momentos de quase-perfeição, onde nem mesmo Michael Schumacher era capaz de superá-lo. Dono da pole-position no sábado, o brasileiro manteve o alemão sob controle durante toda a prova e caminhava para vencer pela segunda vez na categoria, até com certa facilidade.

No entanto, veio a desnecessária ordem de equipe. Naquela altura do campeonato, Michael tinha quatro vitórias em cinco corridas e 44 pontos contra 23 de Montoya. Apesar de ainda ser o começo do mundial, o tedesco já era, obviamente, o virtual campeão. Uma vitória de Barrichello, que tinha apenas 6 pontos, não faria a menor diferença no campeonato.

Rubens discutiu com a equipe pelo rádio e só cedeu a posição já na reta de chegada, praticamente estacionando o carro para que Schumacher passasse. As arquibancadas do autódromo reagiram com uma sonora e interminável vaia, com os polegares para baixo. No pódio, sob o hino alemão, via-se um multicampeão constrangido, empurrando seu submisso companheiro de equipe, igualmente constrangido, para o lugar mais alto. Um momento patético, um verdadeiro show de horrores completamente desnecessário para a trajetória de ambos os pilotos, para a Ferrari e para o campeonato, com a narração mais broxada de todos os tempos.



GP dos Estados Unidos - Em Indianapolis, Schumacher decidiu "devolver" a "gentileza" de Barrichello no GP da Áustria. No entanto, até hoje ninguém sabe ao certo se o alemão realmente quis ser generoso ou se cometeu um milimétrico erro de cálculo ao permitir a vitória do brasileiro.

A diferença de 0.011 com que ambos cruzaram a linha de chegada se tornou, naquele momento, a menor da história entre primeiro e segundo colocados. Mas alguns comentários que circularam na época davam conta de que Michael queria ficar com a vitória ou, no máximo, completar a prova exatamente ao mesmo tempo que Rubens. Na câmera on-board do tedesco, é possível notar uma certa frustração inicial ao gesticular com as mãos. Pouco depois, o então pentacampeão apontou para o brasileiro como quem diz estar "devolvendo" a vitória de A1Ring.

Talvez nunca saibamos qual era, de fato, a intenção de Schumacher. O fato é que esta corrida, a penúltima de 2002, comprova a superioridade quase surreal da Ferrari em "brincar" com os resultados das corridas e fazer o que bem entendesse, decidindo por antecipação os vencedores de cada etapa. Com a vitória, Barrichello conquistou o primeiro vice-campeonato de sua carreira. Uma vitória, diga-se, completamente fake - capaz de empolgar, mesmo, só o Galvão Bueno.


17.12.09

Kobayashi na Sauber (e outros pitacos)

Kobayashi: projeção em apenas duas corridas

Guarulhos | Pronto, não precisamos mais arrancar os cabelos. Todos nós, que ficamos embasbacados com o show dado por Kamui Kobayashi nos GPs do Brasil e de Abu Dhabi - suas duas únicas provas na F-1 até o momento - teremos a chance de vê-lo em ação por uma temporada inteira, em 2010.

O japonês foi o primeiro nome confirmado pela Sauber - que pode manter o tradicional patrocínio da petrolífera malaia Petronas - para o próximo ano. Escolha mais do que acertada, tanto da equipe quanto do piloto.

Ainda não se sabe ao certo o quanto Kobayashi pode dar de retorno técnico a uma equipe. O nipônico pode ser mesmo um raro talento ou apenas um dos típicos kamikazes japoneses que dão shows normalmente improdutivos no que diz respeito a resultados. Mas sabe-se, sim, que a combinação de um jovem e motivado piloto com uma equipe que ganhou a chance de renascer aos 45' do 2º tempo pode render bons frutos.

Vale lembrar, também, que o carro de 2010 da Sauber foi todo desenvolvido pela BMW, ao longo deste ano, e terá motores Ferrari. Portanto, será aquela Sauber de sempre, na metade do grid, brigando sempre para ficar nos pontos - ainda mais com os dez primeiros colocados pontuando.

Para quem era cogitado nas novatas e incertas Virgin e Lotus, Kobayashi se deu muitíssimo bem. Agora só o tempo nos dirá se ele é um novo Takuma Sato ou se estamos vendo surgir diante dos nossos olhos o primeiro vencedor japonês da F-1.

Glock e Di Grassi: dupla promissora da Virgin para 2010

Di Grassi e Glock: tiro certo da Virgin

O acerto de Lucas Di Grassi com a ex-Manor, agora Virgin, era uma pedra mais cantada do que a transferência de Fernando Alonso para a Ferrari. Faltava apenas oficializar. Nesta semana, John Booth confirmou, enfim, o acordo, e assegurou a presença do quarto brasileiro do grid da F-1 para 2010.

De todas as estreantes, a nova equipe inglesa conseguiu fazer uma escolha muito feliz em sua dupla de pilotos. Não à toa, levou dois competidores jovens e de muita qualidade para seus cockpits.

De quebra - e o que é ainda mais surpreendente -, a equipe contratou dois jovens talentos da nova geração de pilotos, o português Alvaro Parente e o brasileiro Luiz Razia, ambos com vitórias e atuações convincentes na GP2.

Tudo isso me faz imaginar que as afirmações de Di Grassi sobre o planejamento da escuderia - "o melhor de todas as estreantes" - são verdadeiras. Desde já, aposto minhas fichas na Virgin como uma das boas surpresas da temporada, e na longevidade da carreira do brasileiro na F-1.

Kovalainen, "Toby Fernando", Trulli e Fauzy: o novo time da Lotus

Trulli e Kovalainen: Lotus faz caridade

A nova equipe Lotus resolveu retomar (ou iniciar? nunca saberei ao certo como me referir a este time de nome e logomarca tradicionais mas de estrutura completamente nova) sua trajetória na F-1 fazendo caridade: dando sobrevida ao idoso Jarno Trulli e abrigando o desempregado Heikki Kovalainen.

Não há dúvidas de que são bons pilotos para uma equipe deste porte. Ambos são do tipo que conseguem resultados surpreendentes com verdadeiras carroças, mas que patinam na hora de andar por um time grande. Ao menos uma coisa é certa: o desenvolvimento do carro da escuderia anglo-malaia será muito positivo, já que tanto Jarno quanto Heikki são muito bons no feedback técnico e no conhecimento do carro.

No entanto, a falta de uma atitude visionária por parte de Mike Gascoyne e de Tony Fernandes (a quem, recentemente, o F1 Fanatic chamou de "Toby Fernando") pode custar à equipe uma péssima temporada em 2010. Contratar dois pilotos que "sobraram" não é um bom negócio. Com dois anos de F-1, Kovalainen está longe de ter o perfil de "jovem promessa" para contrastar com a larga experiência de Trulli. Uma escolha nova, como Adam Carroll, talvez fosse uma melhor opção.

- De qualquer forma, o que surpreende nos anúncios feitos por Virgin e Lotus é, justamente, o fato de terem feito anúncios oficiais. Ambas as equipes eram subestimadas até pouco tempo atrás e ninguém sabia ao certo se elas estariam no grid no próximo ano. Agora, a situação mudou. Os dois times contam com pilotos tarimbados e de qualidade. Certamente, farão um trabalho até um pouco acima das expectativas em 2010, o que é muito bom para a F-1 e para nós, espectadores.

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BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (3)

Guarulhos | Continuando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, o BRF1 recorda hoje a temporada de 2001, que marcou o tetracampeonato mundial de Michael Schumacher.

>> Confira o resumo da temporada de 2000

Montoya vs. Schumacher: o grande duelo do GP do Brasil de 2001

2001: Igualando Prost

A temporada de 2001 foi a primeira de uma série de temporadas insuportavelmente previsíveis na F-1, graças ao gênio Michael Schumacher e ao conjunto praticamente imbatível formado pela Ferrari de Ross Brawn, Jean Todt e Rubens Barrichello.

Não houve luta pelo título. Não há como dizer que David Coulthard, vice-campeão da temporada, tenha sido de fato um rival para Schumacher, porque não o foi. É bem verdade que, como de costume, o escocês começou a temporada incomodando e, após a quarta etapa, em San Marino, dividia a liderança do campeonato com o alemão, com 26 pontos e uma vitória. Mas não houve um verdadeiro duelo pela taça, até porque o desempenho do então piloto da McLaren, como de costume, caiu bastante na segunda metade da temporada.

Até o GP da Áustria, sexta etapa do campeonato, a diferença entre o líder Michael e o vice-líder David era de apenas quatro pontos. No entanto, a partir do GP de Mônaco, o então tricampeão mundial passou a correr praticamente sozinho, contando com os erros e problemas mecânicos de Coulthard e com a flagrante inoperância de Mika Häkkinen, rival de outrora, mas que fazia uma temporada para lá de apagada no ano de sua aposentadoria.

Coulthard vence na Áustria: queda de rendimento o tirou da luta pela taça

Entre a sétima e a nona etapas do campeonato, Schumacher conseguiu fazer uma diferença de apenas quatro pontos para Coulthard se converter em inacreditáveis 24 pontos. O título estava praticamente garantido. Mais uma corrida e a diferença pularia para 31 pontos.

O tetracampeonato do alemão viria na 13ª etapa de um total de 17 na temporada. A vitória no GP da Hungria fez a diferença entre ele e o escocês da McLaren aumentar para 43 pontos, com apenas 40 em disputa. De quebra, no mesmo GP da Hungria, Michael igualou as mesmas 51 vitórias de Alain Prost, então maior vencedor de corridas da história da categoria. Na etapa seguinte, na Bélgica, o tedesco atingiu 52 triunfos e assumiu definitivamente o título de maior vencedor de todos os tempos. Era o primeiro de praticamente todos os recordes da categoria que ele quebraria e elevaria a patamares inimagináveis para qualquer piloto "mortal".

Com quatro títulos no bolso e no auge da forma, tendo apenas Juan Manuel Fangio com mais títulos do que si, Schumacher encerrou a temporada de 2001 deixando a todos com a sensação de que era imbatível. Naquele momento, e nos anos seguintes, Michael seria, de fato, imbatível.

Michael vence na Hungria: 51 vitórias e o tetracampeonato mundial

Ranking de Vitórias:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 9
2º. Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW) - 3
3º. David Coulthard (GBR/McLaren-Mercedes) - 2
4º. Mika Häkkinen (FIN/McLaren-Mercedes) - 2
5º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 1

Ranking de Poles:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 11
2º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 3
3º. David Coulthard (GBR/McLaren-Mercedes) - 2
4º. Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW) - 1

Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1º. Ralf Schumacher (ALE/Williams-BMW) - 5
2º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 3
3º. David Coulthard (GBR/McLaren-Mercedes) - 3
4º. Mika Häkkinen (FIN/McLaren-Mercedes) - 3
5º. Juan Pablo Montoya (COL/Williams-BMW) - 3

Acontecimentos:
- Quebra do recorde de 51 vitórias de Alain Prost por Michael Schumacher.
- Aposentadoria de Mika Häkkinen, bicampeão mundial de F-1 em 1998 e 1999.
- Aposentadoria de Jean Alesi, após 13 temporadas.
- Estreia de Kimi Räikkönen, campeão mundial de 2007.
- Estreia de Fernando Alonso, campeão mundial de 2005 e 2006.
- Estreia de Juan Pablo Montoya, vencedor de 7 GPs na F-1.
- Fim da equipe Benetton, uma das mais tradicionais da categoria.
- Fim da equipe Prost, após cinco temporadas de existência.

2001: As imagens inesquecíveis

GP dos Estados Unidos - Em uma corrida completamente maluca e onde aconteceu de tudo, o GP dos Estados Unidos, em Indianapolis, ficou marcado pela última - e merecida - vitória do bicampeão mundial Mika Häkkinen na categoria. Em uma temporada com resultados abaixo da média para um piloto de seu escalão, o finlandês ainda conseguiu chegar duas vezes ao lugar mais alto do pódio ao longo do ano.

Com Schumacher já campeão e o campeonato praticamente "encerrado", a etapa estadunidense foi uma das melhores do campeonato, com boas disputas, acidentes, um show de Montoya e diversos abandonos por falhas mecânicas - o próprio colombiano e seu companheiro de equipe Ralf Schumacher, por exemplo, abandonaram praticamente ao mesmo tempo. Rubens Barrichello, em temporada bastante apagada, também abandonou.



GP do Brasil - As emoções do GP do Brasil de 2001 começaram antes da largada. Para quem não se lembra, foi nesta edição da prova brasileira que o carro de Rubens Barrichello quebrou na volta de alinhamento para o grid. As cenas que se seguiram foram surreais: o piloto saiu correndo desesperado pelo gramado, de volta aos boxes. A Ferrari correu contra o tempo para preparar o carro reserva para o brasileiro, que conseguiu sair do pitlane com menos de 1 minuto restante para o fechamento dos boxes. Tudo isso para abandonar a prova na terceira volta, após um acidente.

Mas o que marcou mesmo esta prova e o imaginário dos fãs de F-1 espalhados pelo mundo foi a atuação meteórica de um certo Juan Pablo Montoya. O colombiano, ensandecido e apenas em sua terceira prova na categoria, fez uma ultrapassagem de cinema sobre Michael Schumacher, jogando-o na terra e quase provocando seu abandono.

A manobra antológica imediatamente alçou Juanito ao posto de mais novo "anti-Schumacher" da categoria. Os anos, no entanto, mostraram que Montoya era dono de uma velocidade quase inacreditável, mas também dono de pouco cérebro e responsabilidade, o que minou sua carreira na F-1. Este domingo, no entanto, sempre será lembrado por quem assistiu a prova.




GP da Espanha - Uma cena que certamente passou despercebida para quem assistia à corrida mas que, anos depois, ganhou outra dimensão. Fernando Alonso, ilustre desconhecido, apenas mais um daqueles pilotos "toscos" da paupérrima Minardi, correndo diante de um ou outro fã espanhol (já que a maioria certamente não o conhecia) contra a badalada "eterna promessa" Giancarlo Fisichella, da sempre competitiva Benetton.

Eis que o carrinho preto, empurrado por motores Asiatech (?), conhecido por ser de longe o pior do grid, surge do nada pressionando de forma muito determinada o carrinho azul com os sempre badalados motores Renault.

Futuros companheiros de equipe, Fisichella e Alonso mostram, neste vídeo quase esquecido da temporada de 2001, porque um deles é e sempre será apenas um Fisichella, enquanto o "outro" hoje é "Don" Fernando, bicampeão mundial e dono de 21 vitórias na F-1.


11.12.09

BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (2)

Petrópolis | Continuando a série que relembra os principais acontecimentos da última década na F-1, a partir de hoje o BRF1 passa a recordar cada um dos últimos dez campeonatos que a categoria disputou.


2000: A redenção do novo tricampeão

Michael Schumacher iniciou a temporada de 2000 disposto a colocar um fim na aparentemente interminável má fase que havia começado desde sua transferência para a Ferrari, em 1996. O alemão não esteve na luta pelo título em sua temporada de estreia pela equipe de Maranello, mas de 1997 a 1999, teve chances reais de se igualar a Ayrton Senna, Alain Prost e Jackie Stewart, entre outros, como o mais novo tricampeão mundial de F-1.

No entanto, Schumi havia fracassado nas três tentativas. Em 1997 e 1998, contra Jacques Villeneuve e Mika Häkkinen, respectivamente, o duelo que o mundo assistiu foi o do melhor piloto contra a melhor máquina. O dito "melhor piloto" perdeu os dois campeonatos, graças à instabilidade de uma rápida porém pouco confiável Ferrari contra a ampla superioridade da Williams em 97 e da McLaren em 98.

Em 1999, o quadro parecia ser mais favorável ao alemão. O F199 era mais veloz e confiável e Schumacher parecia, enfim, ter reais condições de ser campeão, quando veio o grave acidente no GP da Inglaterra, em Silverstone. A fratura nas duas pernas o tirou de combate por quase toda a metade final da temporada, e quem lutou com Häkkinen pela taça até o fim do campeonato foi Eddie Irvine, segundo piloto da Ferrari - a equipe, por sinal, ficou com o título de Construtores.

Começava a temporada de 2000. O jejum de Schumacher era acompanhado pelo interminável jejum de sua equipe, que não conquistava um título de pilotos desde o sul-africano Jody Scheckter, em 1979. 20 anos de agonia para os 'tifosi'.

No GP da Austrália, abertura do campeonato, a McLaren logo colocou Häkkinen e David Coulthard na primeira fila do grid de largada. No entanto, o que parecia ser o prenúncio de mais uma temporada de domínio prateado, aos poucos foi se convertendo na volta por cima de Schumacher.

Os motores fabricados pela Mercedes no início da década estavam longe de serem confiáveis, embora fossem velozes como sempre. Os carros nº 1 e 2 sumiram na liderança da prova, com Michael e seu companheiro de equipe, o estreante ferrarista Rubens Barrichello, resignadamente ocupando terceira e quarta posições.

Poucas voltas depois, a dupla da McLaren abandonou quase que simultaneamente por problemas no motor. A dobradinha ficou com a Ferrari, tendo Schumacher como vencedor.

Esta foi a tônica da primeira metade da temporada: a McLaren aparecia mais rápida, cravando pole atrás de pole e sofrendo constantes quebras de motor, enquanto a Ferrari se apresentava um pouco mais lenta, mas muito mais confiável e estável, dona de quatro vitórias nas sete primeiras provas do ano.

Para piorar a vida de Häkkinen, seu companheiro de equipe, David Coulthard, apresentava um desempenho surpreendentemente melhor que o do finlandês, com duas vitórias e sustentando a vice-liderança do campeonato até a 11ª etapa.

No entanto, na metade do campeonato, foi a vez de a Ferrari sofrer com quebras mecânicas e acidentes e de Mika utilizar o status de bicampeão mundial a seu favor para protagonizar uma arrancada fulminante e, com duas vitórias e dois segundos lugares em quatro corridas, pular da terceira para a primeira posição na tabela de pontos e se impor como um dos grandes favoritos ao tricampeonato.


A partir do GP da Hungria, a disputa entre Häkkinen e Schumacher se tornou fantástica. Após uma ultrapassagem sensacional sobre o alemão no GP da Bélgica - 13ª prova do ano -, o finlandês chegou à terceira vitória em cinco corridas e abriu seis pontos de vantagem para o piloto da Ferrari.

Restavam apenas quatro provas para o fim do campeonato. A 14ª etapa seria na Itália, casa da Ferrari e dos fanáticos 'tifosi' que lotaram o autódromo de Monza.

Começou ali, no mítico autódromo italiano, a épica arrancada de Schumacher rumo ao título. O tedesco venceu de forma categórica e incontestável, com uma pilotagem aguerrida e precisa, subindo ao alto do pódio pela primeira vez em seis provas. A diferença para Häkkinen, segundo colocado, caía para dois pontos.

Nos Estados Unidos, o golpe definitivo: Schumi, "possuído", esteve imbatível durante todo o fim de semana, conquistou mais uma vitória arrasadora, assistiu ao abandono de seu rival da McLaren e não só reassumiu a liderança do campeonato como abriu uma confortável vantagem de oito pontos para o finlandês. O título estava praticamente decidido.

No Japão, palco da penúltima etapa de 2000, o mundo parou para assistir àquela que seria a corrida que consagraria um novo tricampeão e colocaria fim ao jejum da Ferrari.

Para levar a decisão do título para a Malásia, última etapa do campeonato, só restava a Häkkinen a vitória. Se conseguisse qualquer resultado que não fosse o primeiro lugar, o finlandês teria que torcer por um abandono de Schumacher, ou, no mínimo, fazer o possível para chegar à frente do alemão.

Mika fez o possível, mas o piloto da Ferrari continuava "impossível": imprimiu um ritmo alucinante de voltas rápidas quando era o segundo colocado e, após o pit stop de Mika, assumiu a liderança para não mais perdê-la.

A comemoração, emotiva - talvez a mais vibrante e emotiva de toda a carreira de Schumacher -, comoveu também quem assistia a prova, em casa ou no autódromo. Punhos cerrados, socos no ar, socos no capacete. Uma espécie de desabafo, de um sonho realizado após tantos anos de azares e insucessos. Uma comemoração que lembrou de forma quase surreal a vibração de Ayrton Senna após a conquista de seu primeiro título mundial, na mesma pista de Suzuka, no mesmo mês de Outubro.

Michael ainda venceu a última etapa, em Sepang, na Malásia, e coroou sua arrancada "diabólica" com quatro vitórias consecutivas e dois segundos lugares nas seis últimas provas do campeonato.

Em 2000, o mundo conheceu um novo tricampeão, e testemunhou o surgimento de uma lenda. A partir dali, os feitos de Schumacher passariam a ser contabilizados em números cada vez mais absurdos e na quebra de recordes outrora inatingíveis.


Ranking de Vitórias:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 9
2º. Mika Häkkinen (FIN/McLaren-Mercedes) - 4
3º. David Coulthard (GBR/McLaren-Mercedes) - 3
4º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 1

Ranking de Poles:
1º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 9
2º. Mika Häkkinen (FIN/McLaren-Mercedes) - 5
3º. David Coulthard (GBR/McLaren-Mercedes) - 2
4º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 1

Ranking de Voltas Mais Rápidas:
1º. Mika Häkkinen (FIN/McLaren-Mercedes) - 9
2º. Rubens Barrichello (BRA/Ferrari) - 3
3º. David Coulthard (GBR/McLaren-Mercedes) - 3
4º. Michael Schumacher (ALE/Ferrari) - 2

Acontecimentos:
- Estreia de Jenson Button, campeão mundial de 2009, na F-1.
- Estreia de Rubens Barrichello na Ferrari.
- Estreia da equipe Jaguar, substituta da Stewart.
- Estreia da parceria Williams-BMW.
- Estreia da parceria BAR-Honda.


2000: As imagens inesquecíveis

GP da Alemanha - Na décima etapa do Mundial de 2000, Rubens Barrichello conseguiu algo imprevisível e quase inacreditável. Largando na 18ª posição do grid, o brasileiro, que fazia seu primeiro ano pela Ferrari, contou com um acidente de Schumacher logo na largada e deu um banho: ultrapassou alucinadamente adversário atrás de adversário e precisou de apenas dez voltas para surgir na quarta posição. A presença do safety-car na pista após a invasão de um ex-funcionário da Mercedes Benz permitiu a Rubens praticamente anular a diferença para os líderes da prova, Häkkinen e Coulthard.

Pouco depois, veio a chuva. Uma tempestade na parte do Estádio, mas tudo seco na parte da Floresta. Mika colocou pneus de chuva, assim como Coulthard. Restando dez voltas para o final, Barrichello herdou a liderança e não parou nos boxes. Com pneus para pista seca, conseguiu se manter "vivo" em meio a um temporal, descontando o tempo perdido na parte onde não chovia. Era a primeira vitória de um brasileiro desde o GP da Austrália de 1993, vencido por Ayrton Senna. Um triunfo comemorado como um título por brasileiros e europeus, em um dos dias mais marcantes da F-1 na década de 00. Um raríssimo dia de gênio de um piloto que se limita a ser bom.



GP da Bélgica - No auge de sua reação na luta pelo tricampeonato, Häkkinen fez uma de suas melhores atuações na F-1 justamente na desafiadora pista de Spa-Francorchamps, na Bélgica. A vitória da 13ª etapa do campeonato parecia certa para Schumacher - algo que o reacenderia na disputa pelo título. Mika sabia disso, e passou a guiar de forma alucinada, reduzindo de forma brusca a diferença para o alemão e se aproximando dele a apenas quatro voltas para o final.

Ambos contornaram a Eau-Rouge colados. Ricardo Zonta, da BAR, estava na frente dos dois, como retardatário. Precisava ceder passagem a ambos, obviamente. Mas escolheu o pior momento para isso: no meio da reta, pouco antes da Radillion, com dois campeões mundiais crescendo em seu retrovisor e, para completar, no meio da pista.

Häkkinnen, que não tinha nada a ver com isso, partiu feito um leão pra cima de Schumacher e trouxe seu carro para o lado de dentro da pista, para fazer a ultrapassagem, mas deu de cara com o carro do brasileiro. O alemão abriu para a esquerda, deixando toda a encrenca para o finlandês. No entanto, o piloto da McLaren não se intimidou e, de forma para lá de arrojada, superou Zonta e Michael de uma única vez, assumindo a primeira posição e assegurando a vitória. Antológico.



GP do Japão - A volta que colocou fim a uma série de insucessos, azares e vitórias esporádicas em meio a derrotas categóricas. Ao cruzar a linha de chegada em Suzuka, Schumacher escreveu seu nome na história como o mais novo tricampeão mundial de F-1, encerrou um terrível ciclo de quatro longos anos sem títulos, quebrou o jejum de 21 anos da Ferrari e iniciou, ali, aquilo que hoje nós conhecemos como "Era Schumacher". Ouso dizer que jamais se viu o alemão tão vibrante e emotivo como nesta comemoração. Que lembra muito esta aqui. A comparação é inevitável.


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10.12.09

Nova pontuação escancara banalização da F-1



Petrópolis | A notícia eclodiu no fim da tarde desta quinta-feira e já é, de cara, a notícia mais relevante desta intertemporada. A F-1 terá um novo sistema de pontuação já a partir da temporada de 2010.

É claro que a aprovação oficial ainda não aconteceu - deve acontecer nesta sexta-feira -, mas a alteração proposta é extremamente radical.

Desde 2003, a categoria premia os oito primeiros colocados, na ordem 10-8-6-5-4-3-2-1. No entanto, a partir de 2010, os dez primeiros serão premiados, na ordem 25-20-15-10-8-6-5-3-2-1. O argumento utilizado pela FIA para a modificação do sistema é que a maior quantidade de pilotos e carros no grid - com a entrada da Sauber, são 26 competidores - exige uma melhor distribuição de pontos, para criar uma disputa "justa".

Embora o novo sistema valorize mais a vitória - algo que eu, você e quase todos os fãs de F-1 ao redor do mundo desejavam ver -, é simplesmente inaceitável que a categoria retroceda dessa forma. Uma categoria que sempre foi referência em quase todos os aspectos e que conseguiu manter uma certa dose de tradição em vários outros, começa a enveredar por um caminho que pode não ter volta: a banalização.

Desde 1950, a F-1 premia o vencedor de cada corrida com 9 ou 10 pontos, ou variáveis próximas a isso. Saltar para 25 pontos é quase como transformar o regulamento da categoria ao mesmo aplicado na MotoGP. Não vejo com bons olhos essa mudança.


Também não aceito a justificativa dada pela FIA. Se analisarmos como um todo, a categoria máxima do automobilismo sempre teve uma média de 25 ou 30 carros por temporada. E em quase na maior parte do tempo, os cinco ou seis primeiros de cada corrida marcavam pontos. Argumentar dizendo que um maior número de pilotos exige uma maior distribuição de pontos é quase equivalente a negar a própria história.

E o que é pior: se esta pontuação, na prática, não cair no gosto de equipes, pilotos e fãs ao redor do mundo, teremos uma nova alteração para 2011. Mais uma.

É claro que, como fãs que somos, vamos continuar seguindo a categoria da mesma forma de sempre e vamos nos adaptar ao novo formato, aos novos cálculos. Os pilotos também se adaptarão à nova forma de lidar com o campeonato. As estatísticas vão ganhar mais um asterisco, já que o campeão de 2010 terá mais de 200 pontos marcados e automaticamente será o piloto com mais pontos conquistados em um mesmo ano em toda a história da F-1. É claro que pilotos de ponta com quatro ou cinco anos de F-1 podem já ter ultrapassado o recorde de pontos de Michael Schumacher, maior pontuador da história.

Isso tudo não tem nada de legal. Esta é uma novidade péssima, em meio a tantas novidades boas já previstas para a temporada de 2010.

Eu não gosto desta F-1. Mas, tal qual mulher de malandro, vou continuar seguindo a categoria com a mesma paixão de sempre. Insatisfeito, mas incapaz de abandonar o "vício".


EDIT (11.12.2009, 16h02) - Conforme o previsto, a FIA confirmou na manhã desta sexta-feira o novo sistema de pontuação válido para 2010.

7.12.09

BRF1 Review: A F-1 de 2000 a 2009 (1)


Petrópolis | Tenho visto o fato ser comentado em poucos blogs, mas o ano de 2009 marca o fim de mais uma década. As últimas dez temporadas na F-1 foram bem divididas: nas cinco primeiras - entre 2000 e 2004 - uma longa, cansativa e impressionante hegemonia de Michael Schumacher e sua Ferrari, em uma equipe quase perfeita montada inteira em torno do alemão, com integrantes de luxo como Rubens Barrichello, Jean Todt e Ross Brawn.

A partir de 2005, no entanto, o que se viu foi o retorno de uma competitividade que a categoria já não via há muitos anos, com quatro novos campeões: Fernando Alonso (2005 e 2006), Kimi Räikkönen (2007), Lewis Hamilton (2008) e Jenson Button (2009). O único bicampeão da década se estabeleceu como o virtual sucessor de Schumacher, que se aposentou no fim de 2006, e apenas cinco pilotos atravessaram as dez temporadas competindo de forma ininterrupta: Rubens Barrichello, Giancarlo Fisichella, Jenson Button, Jarno Trulli e Nick Heidfeld.


Alguns dados chamam bastante a atenção. Entre 2000 e 2009, nada menos que 71 pilotos participaram de pelo menos uma corrida de F-1 - 49 deles marcaram pontos - e 22 equipes alinharam no grid, sendo a Midland a única que não pontuou nenhuma vez em sua breve história na categoria.

É curioso notar o volume de pilotos e equipes em apenas dez anos - um espaço de tempo relativamente curto para uma categoria sexagenária. Das equipes que encerraram a temporada de 2009, apenas Ferrari, McLaren e Williams estavam no grid de largada para o GP da Austrália de 2000. Se considerarmos o desfecho do último campeonato, chegamos à impressionante constatação de que 15 escuderias desapareceram, sendo que oito delas - mais da metade, portanto - nasceram e morreram durante a década.


No entanto, o que mais impressiona são os números de Schumacher. O alemão, que estreou na F-1 em 1991 e acumulou dois títulos mundiais e algumas dezenas de poles e vitórias na década de 90, seria praticamente o maior piloto de todos os tempos mesmo se tivesse corrido apenas na década de 00.

Foram 5 títulos mundiais entre 2000 e 2004 (o que o igualaria a Juan Manuel Fangio), 56 vitórias (o que já o faria ser o maior vencedor de todos os tempos, superando Alain Prost, antigo recordista e dono de 51 triunfos), 44 voltas mais rápidas (também superando as 41 de Prost, ex-detentor do recorde) e 799 pontos (superando os 798,5 de Prost por inacreditáveis 0,5 pontos).

O único recorde que o alemão não superaria seria o de pole positions: entre 2000 e 2006, Michael cravou 45 poles, 20 a menos que os 65 de Ayrton Senna.

Confira abaixo alguns números e estatísticas da F-1 entre 2000 e 2009, pesquisadas durante longas semanas por este blogueiro e que formam uma espécie de "campeonato imaginário" dos números registrados nos últimos dez anos, e tire suas conclusões.*

Hamilton: futuro demolidor de recordes?

RANKING DE VITÓRIAS
1º. Michael Schumacher (ALE) - 56
2º. Fernando Alonso (ESP) - 21
3º. Kimi Räikkonen (FIN) - 18
4º. Lewis Hamilton (GBR) - 11
5º. Felipe Massa (BRA) - 11
6º. Rubens Barrichello (BRA) - 11
7º. Jenson Button (GBR) - 7
8º. David Coulthard (GBR) - 7
9º. Juan Pablo Montoya (COL) - 7
10º. Mika Häkkinen (FIN) - 6
11º. Ralf Schumacher (ALE) - 6
12º. Sebastian Vettel (ALE) - 5
13º. Giancarlo Fisichella (ITA) - 3
14º. Mark Webber (AUS) - 2
15º. Heikki Kovalainen (FIN) - 1
16º. Robert Kubica (POL) - 1
17º. Jarno Trulli (ITA) - 1

Alonso: nos números, o segundo melhor piloto da década

RANKING DE POLE-POSITIONS
1º. Michael Schumacher (ALE) - 45
2º. Fernando Alonso (ESP) - 18
3º. Lewis Hamilton (GBR) - 17
4º. Kimi Räikkönen (FIN) - 16
5º. Felipe Massa (BRA) - 15
6º. Juan Pablo Montoya (COL) - 13
7º. Rubens Barrichello (BRA) - 12
8º. Jenson Button (GBR) - 7
9º. Ralf Schumacher (ALE) - 6
10º. Mika Häkkinen (FIN) - 5
11º. Sebastian Vettel (ALE) - 5
12º. David Coulthard (GBR) - 4
13º. Jarno Trulli (ITA) - 4
14º. Giancarlo Fisichella (ITA) - 3
15º. Nick Heidfeld (ALE) - 1
16º. Heikki Kovalainen (FIN) - 1
17º. Robert Kubica (POL) - 1
18º. Mark Webber (AUS) - 1

Barrichello e as "fastest laps": qualidade pouco comentada sobre o brasileiro

RANKING DE VOLTAS MAIS RÁPIDAS
1º. Michael Schumacher (ALE) - 44
2º. Kimi Räikkönen (FIN) - 26
3º. Rubens Barrichello (BRA) - 17
4º. Fernando Alonso (ESP) - 13
5º. Juan Pablo Montoya (COL) - 12
6º. Felipe Massa (BRA) - 12
7º. David Coulthard (GBR) - 7
8º. Ralf Schumacher (ALE) - 7
9º. Mika Häkkinen (FIN) - 3
10º. Lewis Hamilton (GBR) - 3
11º. Sebastian Vettel (ALE) - 3
12º. Mark Webber (AUS) - 3
13º. Jenson Button (GBR) - 2
14º. Heikki Kovalainen (FIN) - 2
15º. Nico Rosberg (ALE) - 2
16º. Nick Heidfeld (ALE) - 2
17º. Pedro De La Rosa (ESP) - 1
18º. Giancarlo Fisichella (ITA) - 1
19º. Timo Glock (ALE) - 1
20º. Adrian Sutil (ALE) - 1
21º. Jarno Trulli (ITA) - 1

Raikkonen: segundo maior pontuador da década está fora da F-1 em 2010

RANKING DE PONTOS POR PILOTO
1º. Michael Schumacher (ALE) - 799
2º. Kimi Räikkönen (FIN) - 579
3º. Fernando Alonso (ESP) - 577
4º. Rubens Barrichello (BRA) - 530
5º. Jenson Button (GBR) - 327
6º. Felipe Massa (BRA) - 320
7º. David Coulthard (GBR) - 314
8º. Juan Pablo Montoya (COL) - 307
9º. Ralf Schumacher (ALE) - 267
10º. Lewis Hamilton (GBR) - 256
11º. Jarno Trulli (ITA) - 235,5
12º. Giancarlo Fisichella (ITA) - 226
13º. Nick Heidfeld (ALE) - 219
14º. Mark Webber (AUS) - 169,5
15º. Robert Kubica (POL) - 137
16º. Mika Häkkinen (FIN) - 126
17º. Sebastian Vettel (ALE) - 125
18º. Heikki Kovalainen (FIN) - 105
19º. Nico Rosberg (ALE) - 75,5
20º. Jacques Villeneuve (CAN) - 55
21º. Timo Glock (ALE) - 51
22º. Takuma Sato (JAP) - 44
23º. Heinz-Harald Frentzen (ALE) - 32
24º. Pedro De La Rosa (ESP) - 28
25º. Alexander Wurz (AUT) - 21
26º. Olivier Panis (FRA) - 20
27º. Nelson Ângelo Piquet (BRA) - 19
28º. Eddie Irvine (GBR) - 18
29º. Christian Klien (AUT) - 14
30º. Cristiano Da Matta (BRA) - 13
31º. Kazuki Nakajima (JAP) - 9
32º. Mika Salo (FIN) - 8
33º. Antônio Pizzonia (BRA) - 8
34º. Tiago Monteiro (POR) - 7
35º. Adrian Sutil (ALE) - 6
36º. Sébastien Bourdais (FRA) - 6
37º. Sébastien Buemi (SUI) - 6
38º. Jos Verstappen (HOL) - 6
39º. Jean Alesi (FRA) - 5
40º. Narain Karthikeyan (IND) - 5
41º. Vitantonio Liuzzi (ITA) - 5
42º. Marc Gené (ESP) - 4
43º. Christijan Albers (HOL) - 4
44º. Patrick Friesacher (AUT) - 3
45º. Kamui Kobayashi (JAP) - 3
46º. Ricardo Zonta (BRA) - 3
47º. Ralph Firman (IRL) - 1
48º. Justin Wilson (GBR) - 1
49º. Zsolt Baumgartner (HUN) - 1

Renault: entre 2000 e 2009, atrás apenas de Ferrari e McLaren

RANKING DE PONTOS POR EQUIPE
1º. Ferrari - 1737
2º. McLaren - 1044
3º. Renault - 770
4º. Williams - 610,5
5º. BMW Sauber - 308
6º. Toyota - 276,5
7º. Red Bull - 256,5
8º. BAR - 227
9º. Brawn GP - 172
10º. Sauber - 111
11º. Honda - 106
12º. Jordan - 75
13º. Toro Rosso - 56
14º. Jaguar - 49
15º. Benetton - 30
16º. Force India - 13
17º. Arrows - 10
18º. Minardi - 10
19º. Prost - 4
20º. Super Aguri - 4
21º. Spyker - 1


PILOTOS DA DÉCADA
Michael Schumacher (ALE)
- 2000 a 2006 - Ferrari

Mika Häkkinen (FIN)
- 2000 a 2001 - McLaren

David Coulthard (GBR)
- 2000 a 2004 - McLaren
- 2005 a 2008 - Red Bull


Rubens Barrichello (BRA)
- 2000 a 2005 - Ferrari
- 2006 a 2008 - Honda
- 2009 - Brawn GP


Ralf Schumacher (ALE)
- 2000 a 2004 - Williams
- 2005 a 2007 - Toyota


Giancarlo Fisichella (ITA)
- 2000 a 2001 - Benetton
- 2002 a 2003 - Jordan
- 2004 - Sauber
- 2005 a 2007 - Renault
- 2008 a 2009 - Force India
- 2009 - Ferrari


Jacques Villeneuve (CAN)
- 2000 a 2003 - BAR
- 2004 - Renault
- 2005 - Sauber
- 2006 - BMW Sauber


Jenson Button (GBR)
- 2000 - Williams
- 2001 - Benetton
- 2002 - Renault
- 2003 a 2005 - BAR
- 2006 a 2008 - Honda
- 2009 - Brawn GP


Heinz-Harald Frentzen (ALE)
- 2000 a 2001 - Jordan
- 2001 - Prost
- 2002 - Arrows
- 2002 a 2003 - Sauber

Jarno Trulli (ITA)
- 2000 a 2001 - Jordan
- 2002 a 2004 - Renault
- 2004 a 2009 - Toyota


Mika Salo (FIN)
- 2000 - Sauber
- 2002 - Toyota


Jos Verstappen (HOL)
- 2000 a 2001 - Arrows
- 2003 - Minardi


Eddie Irvine (GBR)
- 2000 a 2002 - Jaguar

Ricardo Zonta (BRA)
- 2000 - BAR
- 2001 - Jordan
- 2004 - Toyota


Alexander Wurz (AUT)
- 2000 - Benetton
- 2005 - McLaren
- 2007 - Williams


Pedro De La Rosa (ESP)
- 2000 - Arrows
- 2001 a 2002 - Jaguar
- 2005; 2006 - McLaren


Johnny Herbert (GBR)
- 2000 - Jaguar

Pedro Paulo Diniz (BRA)
- 2000 - Sauber

Marc Gené (ESP)
- 2000 - Minardi
- 2003; 2004 - Williams


Nick Heidfeld (ALE)
- 2000 - Prost
- 2001 a 2003 - Sauber
- 2004 - Jordan
- 2005 - Williams
- 2006 a 2009 - BMW Sauber


Gastón Mazzacane (ARG)
- 2000 - Minardi
- 2001 - Prost


Jean Alesi (FRA)
- 2000 a 2001 - Prost
- 2001 - Jordan


Luciano Burti (BRA)
- 2000; 2001 - Jaguar
- 2001 - Prost


Juan Pablo Montoya (COL)
- 2001 a 2004 - Williams
- 2005 a 2006 - McLaren


Kimi Räikkönen (FIN)
- 2001 - Sauber
- 2002 a 2006 - McLaren
- 2007 a 2009 - Ferrari


Enrique Bernoldi (BRA)
- 2001 a 2002 - Arrows

Tarso Marques (BRA)
- 2001 - Minardi

Tomas Enge (CZE)
- 2001 - Prost

Alex Yoong (MAL)
- 2001 a 2002 - Minardi

Fernando Alonso (ESP)
- 2001 - Minardi
- 2003 a 2006; 2008 a 2009 - Renault
- 2007 - McLaren


Takuma Sato (JAP)
- 2002 - Jordan
- 2003 a 2005 - BAR
- 2006 a 2008 - Super Aguri

Felipe Massa (BRA)
- 2002; 2004 a 2005 - Sauber
- 2006 a 2009 - Ferrari


Mark Webber (AUS)
- 2002 - Minardi
- 2003 a 2004 - Jaguar
- 2005 a 2006 - Williams
- 2007 a 2009 - Red Bull


Anthony Davidson (GBR)
- 2002 - Minardi
- 2005 - BAR
- 2007 a 2008 - Super Aguri


Allan McNish (GBR)
- 2002 - Toyota

Justin Wilson (GBR)
- 2003 - Minardi
- 2003 - Jaguar


Antonio Pizzonia (BRA)
- 2003 - Jaguar
- 2004; 2005 - Williams


Nicolas Kiesa (DIN)
- 2003 - Minardi

Zsolt Baumgartner (HUN)
- 2003 - Jordan
- 2004 - Minardi


Cristiano Da Matta (BRA)
- 2003 a 2004 - Toyota

Ralph Firman (IRL)
- 2003 - Jordan

Christian Klien (AUT)
- 2004 - Jaguar
- 2005 a 2006 - Red Bull


Timo Glock (ALE)
- 2004 - Jordan
- 2008 a 2009 - Toyota


Giorgio Pantano (ITA)
- 2004 - Jordan

Gianmaria Bruni (ITA)
- 2004 - Minardi

Tiago Monteiro (POR)
- 2005 - Jordan
- 2006 - Midland
- 2006 - Spyker


Christijan Albers (HOL)
- 2005 - Minardi
- 2006 - Midland
- 2006 a 2007 - Spyker


Vitantonio Liuzzi (ITA)
- 2005 - Red Bull
- 2006 a 2007 - Toro Rosso
- 2009 - Force India


Robert Doornbos (HOL)
- 2005 - Minardi
- 2006 - Red Bull


Narain Karthikeyan (IND)
- 2005 - Jordan

Patrick Friesacher (AUT)
- 2005 - Minardi

Scott Speed (EUA)
- 2006 a 2007 - Toro Rosso

Robert Kubica (POL)
- 2006 a 2009 - BMW Sauber

Nico Rosberg (ALE)
- 2006 a 2009 - Williams

Yuji Ide (JAP)
- 2006 - Super Aguri

Sakon Yamamoto (JAP)
- 2006 - Super Aguri
- 2007 - Spyker


Franck Montagny (FRA)
- 2006 - Super Aguri

Lewis Hamilton (GBR)
- 2007 a 2009 - McLaren

Heikki Kovalainen (FIN)
- 2007 - Renault
- 2008 a 2009 - McLaren


Sebastian Vettel (ALE)
- 2007 - BMW
- 2007 a 2008 - Toro Rosso
- 2009 - Red Bull


Kazuki Nakajima (JAP)
- 2007 a 2009 - Williams

Adrian Sutil (ALE)
- 2007 - Spyker
- 2008 a 2009 - Force India


Nelson Ângelo Piquet (BRA)
- 2008 a 2009 - Renault

Sébastien Bourdais (FRA)
- 2008 a 2009 - Toro Rosso

Sébastien Buemi (SUI)
- 2009 - Toro Rosso

Kamui Kobayashi (JAP)
- 2009 - Toyota

Romain Grosjean (FRA)
- 2009 - Renault

Jaime Alguersuari (ESP)
- 2009 - Toro Rosso


Markus Winkelhock (ALE)
- 2007 - Spyker

Luca Badoer (ITA)
- 2009 - Ferrari


EQUIPES DA DÉCADA**
Ferrari (2000 a 2009)
McLaren (2000 a 2009)
Williams (2000 a 2009)
Benetton (2000 a 2001)
BAR (2000 a 2005)
Jordan (2000 a 2005)
Arrows (2000 a 2002)
Sauber (2000 a 2005)
Jaguar (2000 a 2004)
Minardi (2000 a 2005)
Prost (2000 a 2001)
Renault (2002 a 2009)
Toyota (2002 a 2009)
Red Bull (2005 a 2009)
Honda (2006 a 2008)
BMW Sauber (2006 a 2009)
Toro Rosso (2006 a 2009)
Midland (2006)
Super Aguri (2006 a 2008)
Spyker (2006 a 2007)
Force India (2008 a 2009)
Brawn GP (2009)


*Em verde, os pilotos e equipes cuja permanência para 2010 já foi oficialmente confirmada.
**Período em atividade
na década.


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4.12.09

Pitacos sobre os testes em Jerez

Petrópolis | Não fiz nenhum texto a respeito dos três dias de testes livres que a F-1 realizou em Jerez de La Frontera, na Espanha, por falta de tempo e também pela relativa irrevelância de um evento que não nos fornece base para quase nenhum tipo de análise.

"Quase", porque é possível, sim, constatar algumas coisas facilmente. A elas:


- Andy Soucek é um piloto claramente rápido e mostrou isso por todas as categorias onde passou. O espanhol não teve a mínima dificuldade para faturar o título da F-2 desta temporada. Mas de qualquer forma, não é fácil sentar as ancas num carro de F-1 pela primeira vez na vida e ser o mais rápido do dia, como ele foi.

O que realmente joga contra Soucek, além da falta de verba e de patrocínio para ingressar na F-1, é sua idade. Joga a favor no que diz respeito a experiência e maturidade - algo que certamente irá beneficiar Bruno Senna, por exemplo, em relação a outros possíveis estreantes na próxima temporada. Mas joga contra, definitivamente, no que diz respeito à expectativa gerada em torno dele. O espanhol está pouco a pouco se tornando uma espécie de Giorgio Pantano da Ibéria: rápido e fenomenal na base, sem oportunidade na F-1, vendo os anos passarem e as portas se fecharem rapidamente. O que é uma pena, para ele e para a categoria.


- Daniel Ricciardo foi a grande surpresa dos três dias de testes. Único piloto da Red Bull durante as atividades na Espanha, o australiano foi constantemente rápido em todas as sessões. Nunca esteve além do quarto lugar, mesmo com pilotos já mais experientes como Nico Hulkenberg e Lucas Di Grassi na pista. Hoje, voou e virou um tempo na casa de 1min17, marca mais rápida da semana. Vale lembrar que Jaime Alguersuari, misteriosamente, não está confirmado na Toro Rosso para 2010. É só ligar os pontos.


- Jules Bianchi ficou um pouco abaixo da expectativa, mas a grande notícia da semana foi seu vínculo com a Ferrari, "de longo prazo", nas palavras da equipe. É o novo Felipe Massa, no que diz respeito ao "amparo" que o time de Maranello dará a ele. É fácil concluir que o francês correrá na Sauber algum dia e é ainda mais fácil notar que o garoto tem, sim, talento. Mas ainda parece muito "verde" para disputar uma corrida na F-1.

De qualquer forma, vale ficar de olho. Bianchi tem a grande chance de ser o Alain Prost da próxima década. E Jean Todt, por sua vez, tem a grande chance de ser o Jean Marie Balestre do Bianchi...


- Paul Di Resta. O escocês, que atualmente corre na DTM - a Stock Car alemã - teve um desempenho tão bom e surpreendente quanto o de Ricciardo. Fechou os três dias de testes entre os quatro primeiros, com uma Force India. Não é referencial de nada, apenas do fato de que o jovem piloto é claramente rápido e se adaptou muito bem a um carro de F-1.

- Em resumo, Ricciardo, Bianchi, Di Resta e, correndo por fora, Soucek, são quatro nomes muito fortes para o futuro próximo da categoria. Vale ficar de olho.

Confira abaixo a lista de nomes que participaram dos três dias de testes da F-1 em Jerez de La Frontera. Vale o registro. Algum deles pode vencer corridas e ser campeão na próxima década.

- Andy Soucek (Williams) - Espanhol, 24 anos.
- Paul Di Resta (Force India) - Escocês, 23 anos.
- Gary Paffett (McLaren) - Inglês, 28 anos.*
- Daniel Ricciardo (Red Bull) - Australiano, 20 anos.
- Jules Bianchi (Ferrari) - Francês, 20 anos.
- Mike Conway (Brawn GP) - Inglês, 26 anos.
- Alexander Rossi (BMW Sauber) - Norte-americano, 18 anos.
- Marcus Ericsson (Brawn GP) - Sueco, 19 anos.
- Bertrand Baguette (Renault/BMW) - Belga, 23 anos.
- J.R. Hildebrand (Force India) - Norte-americano, 21 anos.
- Oliver Turvey (McLaren) - Inglês, 22 anos.
- Brendon Hartley (Toro Rosso) - Neozelandês, 20 anos.
- Nico Hülkenberg (Williams) - Alemão, 22 anos.**
- Esteban Gutierrez (BMW Sauber) - Mexicano, 18 anos.
- Lucas Di Grassi (Renault) - Brasileiro, 25 anos.*
- Ho-Pin Tung (Renault) - Chinês, 27 anos.
- Mirko Bortolotti (Toro Rosso) - Italiano, 19 anos.
- Pablo Sánchez López (Ferrari) - Mexicano, 19 anos.
- Daniel Zampieri (Ferrari) - Italiano, 19 anos.
- Marco Zipoli (Ferrari) - Italiano, 19 anos.

*- Piloto de testes

**- Fará estreia na F-1 em 2010.